November 29, 2009

Sobre o fracasso

Fracasso sempre foi uma palavra muito forte para mim, que na verdade eu nunca associei à minha própria vida. Nunca mal ousei pensar sobre seu significado de perto. Nunca mal ousei pensar em qual ponto minha vida deveria chegar para que eu me classificasse como uma fracassada. Mas agora é realmente assim que eu me sinto. Uma fracassada.
Essa percepção veio quando olhei para todos os lados e me senti insatisfeitíssima. Quando em todas as áreas da minha vida a correspondência era de mediana para ruim. Quando vários pedaços do meu chão começaram a ruir e eu não consegui me equilibrar com o resto que sobrara. Quando perdi, perdi, perdi e perdi. Até não ter mais nada.
Fracasso é quando você acredita que é muito forte, encara (todos) os problemas de frente (os seus e os dos outros) e não consegue lidar com (todas) as coisas, trocando as bolas, os pés pelas mãos, deixando a desejar e se frustrando a cada passo. Insatisfação total. Surtos de riso&desespero diários. Choro&velas. Expectativas&Inconformismos.
Então você vê que há poucos meses atrás estava feliz, estava bem, até um ponto bastante aceitável. Mas agora... agora... sinceramente? Eu mal sei identificar o que me faz mal, o que me faz triste, o que me faz agir na inércia, o que me irrita, o que me comove. Enfim. Qual é a sensação de não ter nada? Mas o que eu considerava como sendo tudo? Pois, continuando no meu processo de insatisfação e miséria pessoal, eu ainda consegui aumentar um problema além das suas fronteiras. E perdi algo que na minha cabeça já estava perdido. Mas pelo visto ainda não.
O negócio é quando você se frustra consigo mesma, se desacredita e não acredita em nada de bom do que todas as pessoas pensam de bom de você. E não adianta. Fala o que você quiser. Mas eu simplesmente me odeio e me amo. Me adoro e me enojo de mim mesma. Cansei. De muita coisa. De mim. Da vida. De acordar todas as manhãs. Realmente poucas coisas conseguem me tirar desse estado de não aceitação.
Por muito tempo eu perdia e ganhava, perdia e ganhava, perdia e ganhava. Caía e levantava, por vezes. Mas cansei de lutar. Esse ano simplesmente me nocauteou. E a cada dia eu consigo piorar cada vez mais as coisas.
Pode sim parecer pura reclamação sem fim, puro melodrama, pura cena. Você poderia deixar nos comentários algo como "então pára de reclamar e se mata logo...". Mas eu só estou cansada. Minhas pernas doem. Meu coração dói. Meus pulmões doem. Sinto faltas. São muitas carências e insuficiências. Me deixa descansar um pouco, não tá dando. Só preciso de cuidados. Tentar se resgatar no meio do percurso não dá. O caminho tem que acabar pra você poder parar. Tentar se levantar enquanto cai é muito mais complicado. E pelo visto eu não fui capaz.

November 09, 2009

nada como dias que se seguem com várias noites incríveis no meio

E você já achava que eu tinha ambições? Pense denovo.

Carta aberta ao breve desamor


Oi desamor, como vai?
Se te escrevo hoje, é porque temo pelo futuro, pela minha sanidade, pelo meu sangue.
Se te escrevo hoje é porque eu sou uma pessimista nata e errante.
Não sei onde erro desamor, não sei mesmo. E parece sempre aquele mesmo erro, o de se importar demais. Você é tão querido. Eu gostaria de poder exemplificar pra você o que eu estou sentindo agora, é aquele desespero que você conhece, mas de forma diferente. Sou apocalíptica. Meu peito tá cheio de dor, não sei como me comportar, tento reprimir, mas acho que não vai dar. Afinal, você está sempre aqui, enchendo os espaços com suas camisetas de cores neutras. Escuras. Desamor. Na verdade, percebo que não é só meu peito que está doendo. Tudo doí. Aquela dor irritante de quando alguma coisa está morrendo. Queria me salvar, queria nos salvar. Queria compreender que nada pode dar certo quando começa errado. Mas começamos errados? Eu esperei algum tempo pra ter você; anos. Sempre o mesmo erro, inacreditável. Estou perdida. Estou entregue.
Porque sinto como se você já tivesse ido, e me deixado aqui?
Ou sou eu que me afasto a cada minuto, cortando drámaticamente aquilo que chamamos de vinculo?
Sim, estou perdida.
Saliva. O seu gosto. olhos nos olhos. violência.
Me entrego demais, desamor, eu sei. Me perdoe. Devo agradecer a Deus pela minha intensidade ou devo acender uma vela pedindo pra ser diferente? Eu queria ser diferente, queria que tivesse sido tudo diferente, mas sei que faria tudo igual, de trás pra frente. é aquela coisa da natureza de cada um. Passional. Te dei a mão, estendi meu corpo à você. Não poderia fazer nada que fugisse disso. Completa e irracional liberdade. veja. Sou desfrutável. porque eu não sei me dar aos pingos. Não sei ser pouca, e isso me causa transtornos absurdos e absolutos. Estou em conflito. Tenho o demonio da carne tatuado no corpo. Por isso desamor, se você se for, não bata a porta. não diga palavras fora do tom. não me julgue, meu querido e doce desamor. Tenho olhos para você, estou te vendo panopticamente. dentro de mim.


um abraço apertado e um beijo ardente e afetuoso,
Aline

November 06, 2009

Seguindo o fluxo


O melhor aspecto do tempo nunca parar é a falta dele que dá pra pararmos pra se lamentar sobre os fracassos relativos. Então você pega o melhor do resultado, absorve, acredita e segue firme de cabeça erguida, pensando que não há nada melhor do que continuar no processo de realização contante. Além do mais, Buenos Aires tá chegando!

November 05, 2009

Redirecionamento


Depois de ser atropelada por um bonde e ficar mais esfarelada do que o pó da rabiola depois da ventania, temos que nos recompor. Dou risada quando percebo que por eu ser cabeça dura a vida precisa me ensinar através de grandes acontecimentos, grandes tombos. Já que uma simples plaquinha de "siga por aqui" geralmente não é visível aos meus olhos. Então dessa vez ela me levou por um caminho no qual pude por em prática tudo de melhor que tenho a oferecer, mas não recebi o prêmio final. Fiquei ahazada? Lógico! Minha expectativa era tão grande. Ai, ego, viu. Depois de chorar horrores, dormir quatro horas e acordar toda inchada e com o rímel borrado, fui refletir sobre. E no fim a gestora estava certa, eu não sirvo para trabalhar enclausurada em um ambiente corporativo. Quando abro meus braços o alcance deles é tão maior. Vi depois uma forma de redirecionamento. Mas logo mais, por enquanto preciso me preocupar em esquecer a idéia fixa de fazer bonequinhos de vodu com sabonetes da Natura que ganhei na penúltima fase do processo de Trainee do qual fui eliminada. Como foi me dito, a análise das minhas capacidades não era compatível com o que eles procuravam. Ok. E oq eu faço com meu projeto supra-sumo que formulei e todas as minhas idéias incríveis desenvolvidas ao longo desse processo? Ponho em prática, oras...

Resumindo, agora de forma mais positiva: abracei um processo que me mostrou muito mais de mim do que eu poseria ter percebido em circunstâncias normais, ganhei sabonetes Natura (¬¬'), vi outra possibilidade de direcionamento de carreira e aprendi que se eu fosse menos cabeça dura teria economizado na prática do desespero e exercício da frustração!

October 29, 2009

Inversão ou lembrando o porquê das coisas

Antes de continuar trabalhando nos capítulos a gente pára, observa e faz uma pausa no andamento lógico das coisas e escreve os agradecimentos da monografia. Isso dá um gás que vocês nem imaginam.

October 27, 2009

Numa boa, pegando leve... sabe como é.

Tenho enorme vontade de tomar providências sobre as coisas lá no bar. Mas dá até certo azedume quando penso em não conseguir concluir meus projetos de 2009. Então, pra evitar a fadiga e a falta de asas no meu amanhã, deixa logo eu sair desse sofá, deixar de pensar em memórias conjugais e abandonar esse bode descomunal. Agora a preocupação é em me formar. Ano que vem eu quero um grande, mais malandro, bonito, mais sagaz, mais sabichão, esclarecido dos amores. Ok universo, deuses e afins? Gracias!

Tchau, fui, adiós!

October 23, 2009

Empreendedorismo e últimos acontecimentos

    O empreendedorismo social é uma prática largamente conhecida e tida como essencial para suprir a falta de alcance governamental em relação à inúmeras demandas sociais existentes pelo país. Existem milhares de projetos, de diversas caracterizações, atuando em diferentes segmentos, tais como educação, cultura, economia, necessidades básicas da população (saneamento, por ex), treinamento profissional, juntamente com todas as atividades de inserção social dos excluídos e marginalizados. Entre outros. Essas ações de empreendedorismo são implementadas geralmente por instituições do terceiro setor, mobilização social, ações de diversas caracterizações, coletivos, projetos em parceria sociedade/iniciativa privada etc.
   Porém, o empreendedorismo social só existe por conta dos empreendedores: pessoas que olharam ao seu redor, ficaram insatisfeitos, tomaram sua paixão e vontade como carro-chefe e realizaram uma mudança de status-quo, implementando projetos inovadores e significantes com a colaboração de sua comunidade e buscando suporte, muitas vezes ínfimo, para engendrar formas melhores de fazer as coisas. O empreendedor é quem traz o que mais importa nesses casos, que é exatamente o incorfomismo e a atitude.
   Quem geralmente observa esses projetos sociais de empreendedorismo, pode achar que é uma ação simples. E sim, geralmente ela é simples mesmo, treinamento profissionalizante, economia doméstica, práticas de consumo responsáveis, inserção de jovens carentes no ensino superior, construção de comércio sustentável etc. Mas, o que não se enxerga de prontidão é que o empreendedor assumiu sua missão social, com pioneirismo, orientados por um propósito, partindo do quase nada para o quase tudo! Reinventam processos, lutam, exploram alternativas, aprendem e meelhoram! Pisam em territórios nos quais a maioria de nós não passaria nem na calçada. Enfrentam grupos cara a cara em busca de negociações. Esses grupos podem ser governamentais, de outras comunidades, de projetos semelhantes, da iniciativa privada e também de traficantes, polícias, pessoas engendradas em processos complexos e com altíssimos interesses em jogo. Ou você pensa que não existe a possibilidade das coisas estarem ruins pois é conveniente?
   Então, um homem um dia vê a Chacina da Candelária. Aquilo foi forte, denso, triste, perigoso, inaceitável. Eram jovens. Não pode. E este homem começa a pensar em formas de mudar aquela realidade social, de garotos envolvidos com violência urbana, cartéis, drogas, polícia e mais uma série de coisas que não, não são para jovens. Ele formula um projeto que mudasse a realidade desses jovens, os afastando desses problemas através da cultura&educação. Com muita luta ele consegue. Cria o AfroReggae, um dos maiores e mais eficientes projetos do país. 
Consegue formar uma equipe comprometida para gerar atuação e mobilização social da favela do Vigário Geral, consegue crescer e expandir atividades, cria inúmeras ferramentas de mudança social, engloba mais e mais profissionais engajados na causa e acaba perdendo um destes, morto no último domingo, exatamente por um dos maiores problemas combatidos pelo AfroReggae: a violência urbana entre jovens.
   Agora, eu só espero que a sociedade civil não deixe este caso cair no esquecimento ou se perder no corporativismo da polícia e seus processos desatualizados, problemáticos e ineficazes. Estou escrevendo sobre isso hoje exatamentee por ter ficado um pouco abalada por isso. Não por ter sido com um integrante do AfroReggae, até porque não existe nem uma conta de quantos empreendedore morrem em situações semelhantes. O problema também não é essa relação causa de luta/problemas/empreendedor, mas sim, o que pegou pra mim foi: que pena uma pessoa dessas. E sabe porque? Você pode dizer que é exagero e sentimentalismo, mas não é. Pensar em milhares de projetos é FÁCIL. Você mesmo pode pensar em ações sociais que gerem diferenças na vida das pessoas. Não pode?
   Mas você faz? Quantas pessoas você conhece que se engaja em causas sociais? Poucas ou nenhuma? Tudo bem, é normal. Até porque numa sociedade devem haver pessoas que atuem em todas as áreas. Eu tenho um viés que se aproxima muito do empreendedorismo social e por isso fiquei chateada com essa história toda. Não quero fazer o Evandro de mártir. Não mesmo! Até porque ele não morreu por sua causa diretamente, mas foi morto por um dos problemas que combatia diariamente, com ferramentas alternativas dentro dos projetos que coordenava no AfroReggae. Agora, ouvir do porta-voz da polícia que foi pode ter sido apenas um "desvio de conduta" por parte dos policiais envolvidos... Por favor!
Ficam aí meus pensamentos sobre esse caso.

October 22, 2009

coffee[endless]break

ontem na aula de Integração Regional: percebi que inverti a ordem de dois teóricos no meu primeiro capítulo. E daí? Refaço. Pega nada. Tá sobrando tempo mesmo. Reordeno o texto e a sequencia lógica do capítulo. ¬¬'

hoje: decidi pegar as férias da academia. São só 15 dias, mas são 15 dias. Necessários pra sanidade e menor cobrança pessoal da que vos escreve. Tempo virou commodity. Altíssima demanda. Como nunca antes.
lenta e gradual: escrevi um e-mail lindo pro meu pai me abrindo com ele pela segunda vez (na vida).

status: feliz e à beira do surto. Crises de choro e de gargalhada quase simultâneas. Mas tá acabando. Reta final. Apostas altas. Ui!

leasure.kind of: nas horas vagas eu assisto Extreme Makeover e fico pilhando a vida dos meus amigos, mandando e-mails coloridos.

Projarte (Lapa-SP), apresenta:

A peça co-produzida pela bonitinha da Bruna Spregacini!



Cultura, galera! Cultura! Bora pro teatro?

October 19, 2009

Jour de Chance

Dúbia. Medo de estar apostando muito alto. Confiança no que tenho feito. Medo de quebrar a cara a qualquer momento. Sorriso largo só de pensar em ganhar em uma dessas apostas.

Escolhas. Pararei academia por 20 dias: reta final da monografia. Dor nas costas. Tenho sido bem pouco diva ultimamente. Ossos do ofício.

Acorda Alice: Buenos Aires não vai rolar no feriado de 20 de novembro. A monografia é pro dia 25. Entrega final. Shiiiiiiit.

Sei exatamente os tipos de perturbações das quais não preciso. Mas de algumas só me livro ano que vem. Velha história: tem pessoas que simplesmente não nasceram para viver sob o mesmo teto. Alguns animais também entram nessa, no meu caso.

Foco.Fé.Café.Paciência: Vaaaaaai rolaaaaar, galera! Vai rolar!

October 16, 2009

Playando - algumas notas e considerações












eu tenha essa coisa um pouco estranha mesmo. as coisas fluem de outro modo aqui, e eu sou um poço de sentimentos que esperam pra se mostrar. sabe que eu sou simples? Bem simples eu diria. mas percebi que na modernidade as pessoas desprezam isso. a complexidade ganhou um aspecto futurista inacreditável. daí fico aqui, remoendo, guardando, picando as coisas para que um dia eu possa juntar tudo o que eu sinto num grande caldeirão e fazer tudo explodir.

percorro caminhos já percorridos, mas nunca chego no mesmo lugar porque não me permito

música para dias chuvosos são lindas e tristes. Estou ouvindo Radiohead, porque eu sou assim mesmo.

não adianta mudar as coisas, é assim que o universo gosta de jogar comigo

quando você entende alguns toques, a vida segue num ritimo menos doloroso

não quero tornar-me insuportável e irrelevante aqui, afinal gosto do timbre da minha voz quando falo sobre isso.



locais inabitáveis tornam-se espaços cheios de correria, luz e sereno.



quando você se aproxima, parece o apocalipse chegando.

o ódio transforma-se diariamente.

preciso de foco. nos estudos e na vida. volta ae foco, na moral.

as coisas que eu planejo geralmente sofrem mutações bizarras ao longo do caminho.

gostaria de saber se você sabe nadar. curiosidade só



pensar o tcc é extremamente necessario.



agora eu percebi que conheço tudo isso há tempo demais para ser medir as coisas dessa forma

Hoje eu não tô afim de pontos de exclamação. Tenho cansaço

listas são listas, eu e você sabemos que você não vai cumprir 1% do que promete toda vez.

cortes enormes. bonitos até.

chega aquela fase que você poderia dizer um monte de coisas, mas pra que mesmo né? o que me falta é paciência.

October 04, 2009

Monografia

Mitrany, em suas próprias palavras (tradução livre)
"Se eu pudesse visualizar um mapa do mundo mostrando as atividades econômicas e sociais, ele se pareceria com uma intricada teia de interesses e relações passando e repassando as divisões políticas – não um mapa bélico de Estados e fronteiras, mas um mapa pulsando com as realidades da vida diária. Elas são a base natural para as organizações internacionais: e a tarefa é trazer este mapa, que é uma realidade em funcionamento, para o governo conjunto internacional, ao menos em suas linhas essenciais. Com o tempo as linhas políticas serão então sobrepostas e apagadas por essa teia de relações e administrações conjuntas." (1948, pp. 358-359)
neomefuncionando-me

September 29, 2009

É a minha condição II

Sunshine, meu cão.

A cada dia que passa eu me sinto melhor prepara pra mim mesma. O único problema é que ainda estou com uma dificuldade gigantesca de deixar o passado no lugar dele. E esse passado tem nome. Endereço. Sobrenome. E ele disse pra mim que nossa filha pode chamar Valentina se eu quiser. Mas, ao mesmo tempo, é um nível de problema que eu não quero pra mim.
Acredito que as coisas só acontecem quando devem acontecer e tudo tem sua razão de ser. Acredito piamente nisso e poderia chorar copiosamente pensando na possibilidade de que por maior que seja a agonia em alguns momentos, por pior que seja a sensação de qualquer coisa escoando pelos dedos, tudo tem seu propósito e uma lição de aprendizado no final. Paradoxo, hã? Nem tanto. É só a incapacidade de aceitar as coisas como são. Mas não, eu não choro mais copiosamente. Faz tempo. Às vezes até gostaria! Mas não consigo mais.
Cheguei a conclusão de que por todo sentido que já fez, não é pra ser agora. Alguém ainda precisa aprender algo enquanto é tempo. E o tempo é esse: o dessa vida. Vai ver sou eu mesma. Vai ver é ele. Vai ver ele precisa aprender a chegar nesse nível de temperança, possivelmente através do nível de sofrimento que tem passado durante toda sua vida. A solidão que lhe é iminente e presente é plantada por ele mesmo. Ele é muito difícil. E eu já tentei simplificar. Demais. Porém, contudo, todavia, simplesmentee é algo que não é pra ser agora.
Talvez ele seja a prova final pro capítulo desapego&aceitação da minha cartilha. Talvez eu seja o karma da vida dele. Isso me faz rir. Talvez nossa história não venha só dessa vida. Na verdade, na mais pura verdade, essa é a minha única certeza dado nosso grau de cumplicidade. Um se admite muito claramente pro outro e talvez um dia eu entenda a razão. Mas hoje em dia não tá rolando e eu to abandonando esse assunto por hora. Ou ao menos tentando. Novamente. Condiçãozinha salafrária essa, viu.
Que venham mais paixões avassaladoras. Como uma história escrita com estilo. Seja lá qual este for. Só não pode ser insalubre.

É a minha condição I

O que eu aprendi desde o começo do Processo de Seleção do Programa Próximos Líderes da Natura, tenho me deparado com questões controversas e reconhecendo a mim mesma em alguns aspectos que visualizo mudanças as quais esperava há tempos. Minha temperança, escolhas, paciência, foco, capacidade de mediação aumentaram/melhoraram. Definitivamentee percebi um perfil que há tempos eu estava buscando desenvolver: de quem não foge de conflitos, mas que, definitivamente, busca o alcance de acordos. Prefiro o jogo de soma positiva, sendo que já fui muito de comprar brigas, mesmo quando sofria horrores com o resultado emocional disso.
Com certeza meus últimos episódios de vida colaboraram com isso, essa coisa de todos ao meu redor, por muito tempo estarem com sérios problemas, ou fazendo com que assim o fossem e (eu) me jogando no meio da faroda, me estressando, correndo feito louca pra resolver a vida alheia... ai. Não foi uma decisão do dia pra noite, não foi um "ok! não quero mais! saí daqui!", mas foi uma sucessão de escolhas mais leves e amenas. Amenidade. Essa é a palavra chave para o bem-estar. Ou algo bem próximo disso.
Poderia ter surtado se fossem outros tempos. Mas eu e a minha fé na vida escolhemos a temperança ao invés da tempestade acolhida. O bem-estar ao invés do inferno astral. O reconhecimento de conquistas ao invés da reclamação constante. Parece até que tenho uma voz narrando minha caminhada. Uma voz feminina que sabe de mim muito mais ainda do que eu ou qualquer outra pessoa. Tudo enquanto eu lembro das palavras da psicóloga sobre o apego emocional. Ou sobre a gratidão que não se esconde. Enfim, muitos assuntos intrísecos.
O problema são os outros. Isso tem cabido bem nos últimos tempos. Sem perceber aprendi a não sofrer a dor do outro como se fosse minha, a não tomar o desespero alheio como meu. Se continuar assim, daqui a pouco tempo vou ter a coragem pra muito mais, como por exemplo estudar gastronomia sem ficar pensando no tempo gasto que eu poderia estar estudando qualquer outra coisa. Sei lá. Isso merece um outro post.

September 20, 2009

[that's an order II] esteja lá/dê aquele sorriso que só eu entendo/me conte tudo/esteja perto/me mande mensagens/códigos/chaves/me beije com ardor quando eu chegar/diga que não pode mais viver sem mim/ veja o filme comigo/diga que eu alegrei seus dias cinzas/ use preto/ me compre um livro/me oriente/ me apresente/ me desequilibre/ me dê um apelidinho idiota/ sussure/ tome um drink comigo/ me dê uma carona/ entre no meu sonho/ durma comigo, abraçado/ligue pras minhas manhas/seja cavalheiro/viaje comigo/seja surpreendivel/me diga palavras novas/não duvide de mim/não tanto/me peça pra cozinhar/compre um vinho branco/ apareça de repente/ se mantenha/ entenda meus limites/me toque/ tenha algo no olhar/tire uma foto/me dê um doce/me acalente/diga o que precisa dizer/almoce comigo/afague meus cabelos/me conte piadas/me abrace na rua/não chore a toa/ me corte/ discuta comigo/tome chuva/ seja cético/escute a minha música/ofereça pra mim/dance comigo/dance pra mim/acredite/me leve pra ver o por do sol/ seja inedito/seja clássico/pegue a minha mão/[that's an order II]

September 10, 2009

Desapego&Aceitação

Dois amigos terminaram um relacionamento. Na verdade é um amigo e seu companheiro, que por convivência virou aquele tipo de amigo do qual podemos abrir mão facilmente. Um não-quase-amigo. E esse me ligou pra chorar ao telefone sobre o término, falando sobre as dores do fim. Enquanto ele falava eu apenas pensava comigo: isso passa. E passa mesmo. Já tive muitos fins, alguns bem mais complicados por culpa minha mesmo, pela incrível capacidade que tenho de prolongar e aumentar sofrimentos. Mas um dia passou.
Depois desses fins todos, finalmente aprendi a sofrer só o necessário, só naquele momento. Por que piior que sofrer é sofrer demais. Depois que passa, depois de tempos, vem os momentos de reciclagem emocional. Algumas fáceis e simples, outras nem tanto. Às vezes na reciclagem aproveito pra soltar os cachorros, mas geralmente é especialmente pra lançar mágoas e nunca mais pega-las de volta. Daí vem o mais natural pra mim e o que poucos conseguem compreender em mim depois: depois que as mágoas passaram eu não gero mais ressentimentos e consigo reatar relacionamentos, não amorosos, interpessoais mesmo. Passo a borracha, até por que sempre acredito na renovação das pessoas, não na mudança. Essa coisa de mudar é muito difícil, ela não existe assim. Mas a mudança de perspectivas é o que altera todo o fluxo das coisas.
Eles tiveram um relacionamento complexo e duradouro pros padrões que conhecem. Os dois sempre muito unidos, mas agora não fazia mais sentido, especialmente depois dos abusos cometidos. Mas quando passar, coisas boas ficam. Pensando nisso, ontem consegui jogar fora cartas que não faziam mais sentido pra mim. Que não deveriam mais me lembrar de nada, nem resgatar minha memória seletiva. Leveza e paciência. Sempre precisei ter. E dá-lhe fé na vida e no andamento das coisas...

Não-hegemônico / ella baila sola ... umpardedois

- Jamais vou te atrasar.
- Eu sei.
- Você precisa deixar de ser...
- Medrosa...
- Mais ou menos. Acho que não era o que eu queria falar – pausa. Pra onde você for eu vou contigo. Até se for outro país.
- Bom mesmo.
- Vamos rever essa conversa quando estivermos sóbrios?
- Acho melhor...
- Se alguém algum dia encostar um só dedo em você...
- Eu sei.


Etapas. Quantas etapas de vida são necessárias para que uma situação se encaixe? Quantas tentativas uma pessoa pode ter pra tentar explicar o que só se pode sentir? Como se pode ter certeza? Ter o que? Certeza?! Não... Isso nem com muita estratégia. Diga lá apenas sentindo. O negócio é o seguinte: alguém aí alguma vez parou e percebeu que depois de quase 6 etapas algo simplesmente fez sentido?
Sem promessas. Sem lamúrias. Sem verdades absolutas ou divagações sobre o futuro ou passado. Mudanças de perspectivas de ambos os lados teve sim. Água debaixo da ponte teve muita. Intimidade e complacência, mais ainda. Depois de muitos anos. Não é nem intimidade, a palavra certa seria... cumplicidade. É o barato do sentido de novo. Ninguém tentou se convencer de nada, ninguém tentou convencer o outro de nada. Ninguém usou máscaras. Seria ridículo, afinal um conhece ao outro tão na essência que chegou a ser patética fazermos perguntas das quais já sabíamos as respostas. E ao mesmo tempo sabíamos exatamente o que o outro buscava ouvir. E falávamos, com toda a naturalidade que só o que é genuíno poderia ter.
Agora me diz, como? Como? Descobri que tem um lugar no qual cada etapa que se passa mais eu me sinto a vontade. Como? São quase 6 anos. Mas depois que você larga as armas, consegue enxergar uma verdade que antes não se via. Ou melhor, que não se contemplava em toda sua essência. O foda é quando você faz uma lista mental de todas as coisas que você gostaria de ouvir de alguém, mas ouve tudo da pessoa menos improvável possível. E o pior: faz sentido e se você contestar estará mentindo, porque no fundo você sabe que esse sentido e conforto e naturalidade e cumplicidade são verossímeis. Daí o que se faz? Compra-se a briga? Começa a preparar terreno? Dá risada? Porque depois desse encontro tão lúcido e simples, a única coisa que não dá pra fazer é ignorar. Na verdade eu não quero ignorar.
O mais foda ainda é quando você observa e percebe (é arrebatada pela constatação de) que o momento mudou para ambos. E daí o susto com a naturalidade de como as coisas soam é demais e difícil de assimilar. Pois nunca foi assim. Não me pergunte o que tanto mudou. Só vejo agora duas pessoas... que nem sei no que hoje diferem do passado. Sempre existiram peças que não se encaixavam naquele fantástico e atormentador quebra-cabeça. Mas hoje ele não é mais um quebra-cabeça... é um romance de não-ficção, muito bem amarrado, como um Anna Kariênina. Não sei explicar o que só posso sentir agora. Só peço que confiem em mim. Pois não sei por que, mas vale uma chance e eu quero essa chance. Não pergunte por que e não me julgue, apenas tenha confiança, assim como eu confiei no tempo e nos atos que eu nem sabia que ele havia tido. Foram anos dele me observando de longe.


- Você sabe que não é mais uma disputa de egos, você percebeu?
- E você sabe que eu nunca duvidei de que...
- Eu sei.
- Ta... É que essa coisa de trajetória...
- Você realmentee comprou uma jaguatirica?
- Nós não estamos sóbrios...
- Mas isso é um sim?

August 28, 2009

.keep.me.in.mind..o.desesperamor.

[that's an order] Passe mal antes de dormir/Fique vermelho quando pensar em mim/Ria quando lembrar da minha risada cor de rosa/Suspire quando sentir denovo meu perfume/Me chame pra dançar/Fica comigo até o fim da noite/Me paga uma cerveja/Vamos falar de coisas nonsense/Me abraça./Você me lembra laranja, a cor/Mas às vezes também vermelho/Então, dessa vez, não seja cafajeste/Se recuse a me amar se não for por muitas vidas/Dedique o que quiser/Mas seja real/Pegue o ônibus certo/Esteja na minha rua/Vá, me deixe em casa/Me chame do que quiser, desde que me arranque um sorriso de canto de boca/Ou uma gargalhada/Pra que tanta integridade?/Cause/Não importa/Me cause problemas/Queira estar/Queira só/Machucando meu rosto com essa barba por fazer/Você e seu cheiro de coisa boa/Olhe pros dois lados/Diga pros outros até que cansem/Case comigo/Quase absoluto/Constrangimentos/Nuvens/Te confessa/Te confesso.../Me dá um presente/Me escreva uma carta/Me deixe flores/Limão!/Suor/Penas/Danças/Olhos/Pernas/Ouça aquela música/Só diga o meu nome/Muitas vezes/Não vá se perder por aí/Acorde pensando na hora na qual nos veremos/Cale-te, boca!/Seja o responsável pela minha ostentação visual/Cara, me tira o fôlego/Me segura/Me beija/Pede pra eu ficar mais perto/Praxe/Apareça/Faça parte/Goste deles/Saia/E me faça o favor de voltar/Fica mais/[/that's an order]

August 17, 2009

Deus e razões para ser bom/mau e viver até a última gota.

Este link é para a primeira parte da entrevista com Richard Dawkins, um biólogo evolucionista com obras realmente intrigantes e que eu, com toda a minha fé que não é segredo pra ninguém, assino em baixo de muitos de seus argumentos contidos nesta entrevista. Fiquei muito curiosa pra ler sua obra, especialmente "Desvendando o Arco-Íris" e "Deus, um Delírio". Para quem quiser, a segunda parte da entrevista será apresentada hoje a noite, no programa Milênio, pelo canal GloboNews da TV a cabo. Quem não tiver esse tipod e serviço ou não puder assistir, no site depois também terá o vídeo.

...

Como ele mesmo diz, o propósito da vida é cada um que faz o seu. E mesmo cheia de fé como sou (vide meu último post), não posso jamais deixar de viver como se essa fosse minha única vida, mesmo sendo espírita e mesmo acreditando piamente em reencarnação, assim como acredito no ar que respiro, naturalmente desse jeito.
Me peguei pensando outro dia que se fosse possível ser muitas coisas ao mesmo tempo, trilhar múltiplos caminhos e aderir furtivamente a vários gostos e gêneros diferentes ao mesmo tempo eu o faria. Sempre fui muito plural e já me critiquei muito por ser multi/pluri como sou, de ser capaz de amar rock/samba/clássicos/gay-music e mpb da mesma forma, de querer ser internacionalista e editora e jornalista e médica e engenheira ambiental e filósofa, de querer viajar pra mil lugares e ganhar rios de dinheiro, ao mesmo tempo que me encanto tão genuinamente pelo simples&necessário, de me iludibriar com o brilho de um brilhante enooorme numa aliança de noivado, ao mesmo tempo que aprecio a beleza nua e crua, natural e poética, de pele e aromas.
Demorei pra me aceitar plural, pois sempre sofria buscando a linearidade e a lógica de mim. Mas a minha linearidade e lógica estão justamente na falta delas! E ser multi/pluri não me impede de ser soberana, como sempre fui.
De quantas vidas eu precisaria pra ser capaz de ser tudo o que eu desejo ser? Para ser todas essas Clarissas e de exercer todas essas funções no mundo, que é o que eu faria se a clonagem humana e o pensamento coletivo entre meus clones fossem possíveis! Então é por isso que eu não perco tempo e devoro essa vida e toda sua composição. Pois quanto mais tempo eu passar no superficial, menos me sentirei realmente envolta pelo turbilhão de cores que eu amo. Devoro cultura, vivências, pessoas. Esforço forte pra absorver tudo e assimilar informações recebidas, sempre aceitando-as na medida em que chegam, procurando nunca negligenciar e se possível jamais as recusar ou anular nenhuma delas.