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September 21, 2010

era pra ser romântico.


Ligação infanto-diabética pro namorado um tempo atrás:
- Eu te amo daqui até a lua.
- E eu te amo daqui até o universo.
- Então eu que te amo mais.
- Mas o universo é maior.
- Mas você disse que me ama daqui "até" o universo, não do tamanho do universo...

(bola de feno no faroeste abandonado. barulho de ventania...)

Explico: quando você está indo para, por exemplo, Sorocaba -veja bem, esta foi a explicação que eu dei a ele para reforçar minha teoria. Então. Você está indo para Sorocaba. Quando você considera que chegou lá: quando você vê a placa de "Bem-vindo a Sorocaba" ou quando você chega na rodoviária dentro da cidade? 
Porque, pensa comigo, cruzou o limite já é Sorocaba. Se você me ama até lá, então já chegou! Pensando novamente no "eu te amo daqui até o universo", digo o seguinte: essa medida é imprecisa. Grosseiramente falando, daqui de onde eu to (e todos vocês estão) até o universo propriamente dito (lá onde começa a ter satélites e ETs, que já é além de onde tem meteoros) são, no máximo, 600km. Sendo que daqui até a Lua são mais de 384.000km.
Agora, voltando ao exemplo de Sorocaba, é como se a Lua fosse a rodoviária, enquanto me amar até o universo fosse a placa de "bem-vindo a Sorocaba". Entendeu?

Notas:
1. não, eu não to desocupada. to no trabalho e cheia de coisas a fazer.
2. sim, eu fiquei dias com isso na cabeça. essa conversa faz um tempão. eu precisava postar isso.
3. é. eu sei. ele também acha.

September 10, 2010

self-dignity

 Imagem do Bright Tal
Essa é uma reflexão extremamente pessoal sobre temas como: trabalho, dinheiro, realização de sonhos, ambição, coragem, respeito e dignidade. Estou no ponto em que tenho ficado aproximadamente 13horas por dia trabalhando ou em atividades relacionadas. Mais tempo de ida e de volta pra casa. Mais tempo de almoço. Tenho ficado 16horas ou mais fora de casa somente trabalhando ou em atividades relacionadas. 
Tais trabalhos (que quem me conhece sabe que são dois) e as atividades relacionadas não incluem estudos, cuidados pessoais, atividades de lazer, etc. Mesmo eu tendo que admitir que trabalhar no Outras Palavras é delicioso, mesmo em dias estressantes. Porém o mesmo não posso dizer do meu outro trabalho, infelizmente. E não exatamente por ser lá. Mas sim por que eu me identifiquei de cara, corpo e alma diretamente com o Outras e nos últimos tempos, apesar dos esforços para me desdobrar nas funções crescentes dos dois, tenho deixado a desejar. Nos dois. 
No Outras comecei como voluntária. No Urb. já efetivada. No Outras foi paixão à primeira vista. No outro era apenas algo que eu considerava como "legal" e uma boa forma de me manter, bom salário e tal. Mas, agora, chegou o momento que tenho que escolher. Principalmente por também já estar contradada onde antes era voluntária. 
Meu plano inicial era ficar nos dois até dezembro e juntar uma grana, fazer e acontecer. Mas a realidade bateu: minhas funções em ambos trabalhos cresceram demais e eu tenho abnegado de muita coisa e aguentado muito desaforo (bravo mesmo) de um dos chefes que já percebeu que, bem..., não é lá que eu quero estar. A ponto dele ter atrasado meu pagamento em um mês e no outro (esse) ter me pago em 2x. A primeira quarta-feira e a segunda... ainda por vir. Como se fosse uma forma de pressão à moda judaica (ele é judeu).
Daí, no começo dos surtos psicóticos eu pensava... Ah, vou aguentando e levando como der. Quero a grana! Mas agora, depois de quase dois meses levando bombada atrás de bombada (e não no bom sentido) preciso ter a dignidade de admitir que estou sendo falha em um dos lugares e desonesta por não mais conseguir cumprir com os objetivos e compromissos que assumi quando fui contratada. Enquanto no Outras Palavras só consigo pensar que se ficasse lá 8horas por dia seria muito mais eficiente e feliz. 
Acaba sendo uma amnhã de tormento e uma tarde/noite de felicidade. Assim não dá, né? Então, com coragem e por respeito ao cara que me deu uma oportunidade quando eu mais precisei, vou renunciar ao meu trabalho da manhã. Gosto de ambição. Mas meu ego faz com que eu me sinta péssima a cada vez que eu falho em um ou em outro. Ou comigo mesma. Logo. Tá insuportável. O chefe e minha ineficiência por não conseguir... hum... abraçar o mundo com as pernas (?).
Junk-food, falta de tempo de estudar, ver amigos, me cuidar (pra ir num salão de beleza durante a semana preciso faltar no trabalho), mal conseguindo me vestir bem, surtando com os outros, esquecendo coisas pessoais importantes... Isso não sou eu. Passar os dias sem paixão? Isso definitivamente não sou eu.

August 11, 2010

Sobre o zelo e a mulher

Imagem daqui.
Ser mulher é realmente uma coisa inevitavelmente trabalhosa e custa caro. Ontem dei graças a Deus por não ter desencanado de pagar meu convênio médico (que já não é muito barato). Quatro exames de rotina teriam me custado mil e trinta e oito reais sem o convênio. Posso com isso?
Mas vem cá? A pessoa vai lá, marca consulta com ginecologista (detesto esse nome), marca exames de check-up, vai fazer os exames, sente mil incomodos, passa por pequenas vergonhas necessárias. Na clínica é ainda mais estranho. Fui lá, clínica chiquérrima especializada na saúde da mulher. Morta de fome, já fiquei feliz pois vi que tinha um café por lá. Pedi um sanduíche de peito de peru e um suco de maracujá. Quanto é? Ah, de graça?! Que ótimo, obrigada...
Subi, me troquei, pus o roupão e continuei com as botas country - já vermelha de vergonha do que aconteceria naquela salinha. Fiz exames, gel para todos os lados, tudo bem, exames claros e tranquilizadores. Trocada novamente, desci... Me vê um capuccino, por favor? O melhor da minha vida. Juro. Saí de lá feliz da vida.

Tá. Feliz da vida. Não só pelo melhor capuccino que já tomei na galáxia, mas por algo muito mais elementar. Todo mundo sabe que meu maior sonho é ser mãe. E nesse ano decidi que começaria a preparar meu corpo para tal. Daqui a 2 ou 3 anos, quando decidir que é hora, tudo que depender de mim estará bem. Então fui ao médico fazer exames e com um certo medinho de aparecer alguma coisa de errado (como um bebê, hahahahaha - brincadeira), mesmo sabendo que as chances seriam mínimas. Mas, quando saí de lá com os resultados e já sabendo que realmente estou com a saúde mega em dia... Meu... Bateu uma, mas uma tranquilidade inexplicável.
E ainda mais: não foi só uma tranquilidade, mas um sentimento de completude pessoal e de repúdio a mulheres que não se dão o devido valor. Veja bem, não to falando de quem dá mais do que chuchu na cerca - cada uma sabe o que faz e aquilo que põe, literalmente. Mas daquelas que dão mais do que chuchu na cerca e se tratam como nada, jamais se cuidam, não tem o menor zelo consigo mesmas. Não sou puritana, nem moralista. To só defendendo uma única opinião: mulher tem que se cuidar mesmo. Nosso corpo é muito mais sagrado só pelo simples fato de poder gerar uma criança.

Mas ok. Pode só ser coisa de quem tem plena convicção de que quer ter um filho num prazo de dois anos. Mas zelar, não é só fazer exames e usar produtos e cuidar da aparência. Zelar mesmo é mais. É se amar e não deixar nada nem ninguém te fazer mal. E ter a cabeça tranquila em tudo que faz e por tudo que fez. É cuidar de verdade e saber onde pisa. Enfim. Ser mulher é não ser leviana. E saber que tudo, mas tudo tem muito valor. Independente das suas decisões e dos seus atos, tudo continua tendo muito valor.

May 19, 2010

Aceitação


É apenas uma hipótese. Mas para mim ela simplesmente não consegue aceitar meu posicionamento perante muita coisa. Para ela, nada nunca se abrandou. Nunca houve trégua. Nunca espaireceram-se sentimentos. Jamais elevaram-se padrões de pensamentos. O que é uma pena. Pois enquanto os lados sofrem, ela se degladia consigo mesma. Enquanto eu busco mudar a frequencia e não levar para as impessoalidades que cegam, ela é tomada por uma inércia impressionante. Imobilizada. 
O maior problema é que eu sei que devo dar espaço, enquanto ela tenta se compreender. Até aí, ok. O que não está nada ok é o fato de eu ter plena consciencia de que a cada dia mais que se passar depois dessa crise que já dura um mês inteiro e ininterrupto, mais faltarão argumentos e sentimentos que nos prendam afetivamente. E uma hora os dedos vão escapar. Pois aguardando e sendo paciente eu tenho estado/sido. Mas não posso culpar meu coração de se sentir mal pela incompreensão e por assistir de camarote uma tão querida sendo debatida no ar, pela sua própria limitação.
Limitação em aceitar, superar, dizer que tudo bem quando realmente está tudo bem. A maior diferença é que eu verdadeiramente aceito o erro do outro. Eu "deixo" que o outro erre. Enquanto ela não. Certos erros são considerados como graves falhas e nada é remediável. Parece que é sempre 80, nunca 8. Sou mais branda do que isso. Talvez ela por isso ela possa me enxergar como fraca, quando na verdade é muito mais temperança, observação... Tudo é um processo de aprendizado. Não um navio naufragando.
Frase de ordem ultimamente: Não precisava...
Tem horas que eu queria te sacodir e te tacar na parede! A vida é muito maior do que isso... Amiga, enxergue que nessa vida só se vence pelo amor. Mesmo que seja através da dor. Mas somente, única e exclusivamente pelo amor. Mas eu já te disse isso antes, numa longa carta, pouco tempo atrás. O cimento que sustenta relações é outro. Ah, se você se ouvisse...

April 23, 2010

A tal da bolha


   Nas últimas semanas, várias pessoas me disseram ou disseram que alguém que me contou, que estão em um momento "bolha". Daí pensei comigo, momento bolha é só não estar travestida de extroversão, não querer sair muito de casa e rejeitar ligações por preguiça de falar, independentemente de quem fosse, ou inclui também uma mão na consciência?
   Digo isso pois geralmente adiamos afazeres pessoais importantes por não estarmos muito no clima, como, por exemplo, dar aquela polida no currículo. Eu mesma já adiei isso muitas vezes por sempre ter algo muito mais interessante no momento do que ficar polindo currículo, arrumando a gaveta, limpando teclado do note, revisando a monografia, montando projeto de pesquisa, enfim.
   Mas, nessa de adiar, acaba que a perfeição das ações vai sumindo junto. Por exemplo: você não dá a bendita polida no currículo, até que alguém te liga e diz "me manda seu CV pois acho que tem uma boa oportunidade aqui!", daí você corre, ajeita o que deveria ser alterado com tranquilidade e é isso. Você mandou algo meia-boca. Ou às vezes menos trágico, mas muito importante também: você deixa lá, sem revisar nem nada, só atualizando datas e pequenas coisas, quando na verdade poderia encontrar uma maneira muito mais inteligente e eficiente de apresentar-se (e mostrar sua vida até o presente momento) a um completo desconhecido que, quem sabe, pode se interessar pela sua cuidadosa abordagem.

Hum...

   Bom, tudo isso pra dizer que ao invés de ficar no momento bolha só coçando as picadas de pernilongo, vá logo caçar alguma coisa pra fazer que te traga algum benefício em algum momento, vai. A não ser que você realmente precise de fazer "nada" no seu quarto ouvindo Amy, descanso não é sinônimo de inutilidade.

   Enquanto isso, vou continuar a tentar não pensar em Morro de São Paulo e em todos os bons momentos que estou perdendo com as meninas e o Vander, não pensar que ainda vai demorar uma semana e meia para que eu possa dar continuidade aos meus planos por conta de grana e que é bom que meu pé continue no chão, pois agir coerentemente e fazer coisas com excelência dá um pouco mais de trabalho do que os manuais de boas práticas por aí contam. Enfim, continuar controlando minha ansiedade e impaciência. Além de agradecendo pelos bons acontecimentos e pelo fato de que, quando eu acho que já tava bom, a Gle vem e me mostra um jeito ainda melhor de fazer as coisas. Ai, amiga. Honestamente, não sei como você consegue ser tão presente mesmo tendo um oceano inteirinho entre nós. Obrigada pelas boas dicas e conselhos. Sempre tão bem-vindos.
   Lembrando que hoje é dia de Ogum.

January 22, 2010

Ainda vou descobrir o porquê dessas palavras me ofenderem

“Acredita que somos pobres porque eles são ricos e vice-versa, que a história é uma bem-sucedida conspiração dos maus contra os bons, onde aqueles sempre ganham e nós sempre perdemos (em todos os casos, está entre as pobres vítimas e os bons perdedores), não se constrange em navegar no espaço cibernético, sentir-se on line e (sem perceber a contradição) abominar o consumismo. Quando fala de cultura, ergue a seguinte bandeira: “O que sei, aprendi na vida, não em livros; por isso, minha cultura não é livresca, mas vital.” É o idiota latino-americano.” diz Mário Vargas Llosa na apresentação do livro.


   O livro em questão é o “Manual do Perfeito Idiota Latino-americano”, Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa (Bertrand Brasil, 1997). Não satisfeitos, ainda foi publicado um segundo livro, "A Volta do Idiota", de 2007. 
   Pode me chamar de utópica, iludida, cega, o que for. Mas tanto essas palavras, quanto frases como "se explodisse a América Latina não faria a menor diferença", "você realmente acha que existe uma América Latina?" entre outras, me causam uma reviravolta no estômago. Vai ver é porque sou latino-americana e essa caracterização é incômoda. Mas ao mesmo tempo, já ouvi coisa pior: "você não é latino-americana, você é brasileira."  E eu realmente não consigo decidir qual das duas hipóteses é pior. Já ouvi dizerem que a vontade política da América Latina é brasileira, pois os outros países estão bem confortáveis onde estão, mas o Brasil precisa manter sua liderança. Vem cá, confortáveis? Não sei como podem ter tantas idéias e argumentos incômodos dentro de um mesmo tema que me desperta tanta paixão. Mas enfim... O que se faz então? Toma parte da política externa brasileira, se enxergando como mega potência e calcando horizontes de costas para o próprio continente no qual se insere? Vai ver é isso mesmo.