September 21, 2010

era pra ser romântico.


Ligação infanto-diabética pro namorado um tempo atrás:
- Eu te amo daqui até a lua.
- E eu te amo daqui até o universo.
- Então eu que te amo mais.
- Mas o universo é maior.
- Mas você disse que me ama daqui "até" o universo, não do tamanho do universo...

(bola de feno no faroeste abandonado. barulho de ventania...)

Explico: quando você está indo para, por exemplo, Sorocaba -veja bem, esta foi a explicação que eu dei a ele para reforçar minha teoria. Então. Você está indo para Sorocaba. Quando você considera que chegou lá: quando você vê a placa de "Bem-vindo a Sorocaba" ou quando você chega na rodoviária dentro da cidade? 
Porque, pensa comigo, cruzou o limite já é Sorocaba. Se você me ama até lá, então já chegou! Pensando novamente no "eu te amo daqui até o universo", digo o seguinte: essa medida é imprecisa. Grosseiramente falando, daqui de onde eu to (e todos vocês estão) até o universo propriamente dito (lá onde começa a ter satélites e ETs, que já é além de onde tem meteoros) são, no máximo, 600km. Sendo que daqui até a Lua são mais de 384.000km.
Agora, voltando ao exemplo de Sorocaba, é como se a Lua fosse a rodoviária, enquanto me amar até o universo fosse a placa de "bem-vindo a Sorocaba". Entendeu?

Notas:
1. não, eu não to desocupada. to no trabalho e cheia de coisas a fazer.
2. sim, eu fiquei dias com isso na cabeça. essa conversa faz um tempão. eu precisava postar isso.
3. é. eu sei. ele também acha.

September 20, 2010

Blood Morning


foi então que ela percebeu que a manhã era a melhor parte do dia. de manhã, bem cedinho. Tirando o magistral momento de acordar, onde os pensamentos cortados na noite seguinte voltam à tona com força total, nos fazendo ficar meios zonzos com perguntas que ainda não podemos responder, é o melhor momento do dia. Suas indefinições cinzas, seus contornos estranhos, seus graus de subversão sonolentos. o desespero é mais leve, é só uma marca. não se espalha fácilmente, você pode aproveitar e o observar o sol lá fora, porque a esperança de que as coisas melhorem ainda pode ser ouvida, é permitido. são só oito horas da manhã. tudo é possível às oito horas da manhã. você pode tomar o seu café, e ele pode estar amargo, não tem problema. você pode pintar a cara pra ficar menos obvia, pode  pintar os olhos também, mas a noite eles estão pretos, lágrimas pretas escorridas na face. você pode ouvir uma música, e talvez ela te anime e te faça pensar que vai ser diferente. Você pode esboçar um sorriso. São nove da manhã. O sorriso está torto, amarelo. um leve peso passa a surgir no peito, aquela sensação que você já conhece. mas há um sorriso, ele está lá. ao lado do café amargo e agora gelado, largado de forma displicente em cima da mesa. o olhar. a espera. você não quer pensar nisso, nunca quer. esperar é a rendição dos jovens. você treme um pouco agora, é no mínimo natural. natural como as infiltrações na parede. as infiltrações na parede não são reais. você anda, roda, volta, senta. o peso cresce. você escreve. a música muda de tom. você percebeu? você só repete aquelas que te fazem lembrar como você é uma idiota estúpida, e está se tornando um pequeno zumbi. São dez horas. você pode falar algo, mas será apático e sem luz. você pode pegar um café novo em folha, mas o gosto de carvão continuará na boca. e ele ficará largado, tal qual o outro. você pode tentar fingir que não se importa e que tá no controle da situação, mas pra que mesmo? o comportamento fica mais e mais intrigante. você já não ouve mais, porque não é nada disso o que te importa. NADA. vagamente você faz um trejeito político, um aceno, um olá, uma pergunta que você não quer, definitivamente, saber a resposta. não é por maldade, é só um estado onde as coisas estão tão absurdamente doloridas, que não há fuga. São onze horas. a música soa como um tormento. você respira com dificuldade, porque a dor a essa altura já é física. você não escreve nada. o almoço não parece em nada uma boa ideia. vomitar sim seria uma. você tem o corpo mole, capenga, pro lado. estranho. sua cabeça não condiz com o resto do conjunto. a temperatura ambiente simplesmente não faz sentido, você sente um formigamento percorrendo o corpo todo. o desespero é uma ferida aberta, pulsante, vermelha. Tem gosto de sangue. e de repente, o ódio. aquele que a manhã estava banindo de todas as formas possíveis. e ele abunda o seu peito, é como uma droga. ele te alimenta, te dá expressão. e te faz explodir num choro inabalável de incertezas. ele te embala.
são doze horas.
você se importa, idiota. e é esse o seu erro.
bom dia.

September 10, 2010

self-dignity

 Imagem do Bright Tal
Essa é uma reflexão extremamente pessoal sobre temas como: trabalho, dinheiro, realização de sonhos, ambição, coragem, respeito e dignidade. Estou no ponto em que tenho ficado aproximadamente 13horas por dia trabalhando ou em atividades relacionadas. Mais tempo de ida e de volta pra casa. Mais tempo de almoço. Tenho ficado 16horas ou mais fora de casa somente trabalhando ou em atividades relacionadas. 
Tais trabalhos (que quem me conhece sabe que são dois) e as atividades relacionadas não incluem estudos, cuidados pessoais, atividades de lazer, etc. Mesmo eu tendo que admitir que trabalhar no Outras Palavras é delicioso, mesmo em dias estressantes. Porém o mesmo não posso dizer do meu outro trabalho, infelizmente. E não exatamente por ser lá. Mas sim por que eu me identifiquei de cara, corpo e alma diretamente com o Outras e nos últimos tempos, apesar dos esforços para me desdobrar nas funções crescentes dos dois, tenho deixado a desejar. Nos dois. 
No Outras comecei como voluntária. No Urb. já efetivada. No Outras foi paixão à primeira vista. No outro era apenas algo que eu considerava como "legal" e uma boa forma de me manter, bom salário e tal. Mas, agora, chegou o momento que tenho que escolher. Principalmente por também já estar contradada onde antes era voluntária. 
Meu plano inicial era ficar nos dois até dezembro e juntar uma grana, fazer e acontecer. Mas a realidade bateu: minhas funções em ambos trabalhos cresceram demais e eu tenho abnegado de muita coisa e aguentado muito desaforo (bravo mesmo) de um dos chefes que já percebeu que, bem..., não é lá que eu quero estar. A ponto dele ter atrasado meu pagamento em um mês e no outro (esse) ter me pago em 2x. A primeira quarta-feira e a segunda... ainda por vir. Como se fosse uma forma de pressão à moda judaica (ele é judeu).
Daí, no começo dos surtos psicóticos eu pensava... Ah, vou aguentando e levando como der. Quero a grana! Mas agora, depois de quase dois meses levando bombada atrás de bombada (e não no bom sentido) preciso ter a dignidade de admitir que estou sendo falha em um dos lugares e desonesta por não mais conseguir cumprir com os objetivos e compromissos que assumi quando fui contratada. Enquanto no Outras Palavras só consigo pensar que se ficasse lá 8horas por dia seria muito mais eficiente e feliz. 
Acaba sendo uma amnhã de tormento e uma tarde/noite de felicidade. Assim não dá, né? Então, com coragem e por respeito ao cara que me deu uma oportunidade quando eu mais precisei, vou renunciar ao meu trabalho da manhã. Gosto de ambição. Mas meu ego faz com que eu me sinta péssima a cada vez que eu falho em um ou em outro. Ou comigo mesma. Logo. Tá insuportável. O chefe e minha ineficiência por não conseguir... hum... abraçar o mundo com as pernas (?).
Junk-food, falta de tempo de estudar, ver amigos, me cuidar (pra ir num salão de beleza durante a semana preciso faltar no trabalho), mal conseguindo me vestir bem, surtando com os outros, esquecendo coisas pessoais importantes... Isso não sou eu. Passar os dias sem paixão? Isso definitivamente não sou eu.

September 08, 2010

Será que rolou?

Testando botões de compartilhamento. Deu certo?

Uma porta azul bem bonita

 Imagem do Vitó

Esse fim de semana/feriado eu supri todos os meus déficits afetivos, emocionais, sexuais, femininos, ansiosos, nervosos e carentes. Foi depois de quatro dias impressionantes de tão intensos e calmos e completos que consegui perceber, claro como o contraste do branco com o azul, que é ali que eu quero ficar. Naqueles braços. E eu sei que você vai ler isso aqui. Mas tudo bem, pois eu já te disse isso ontem ao telefone. Por sinal, preciso dos meus carregadores que ficaram na sua casa. Enfim...
Quero começar a planejar nossa reforma, da casa que hoje é sua, mas que queremos que seja nossa. Planejando todos os comodos, todos os detalhes, todas as cores, todas as necessidades, nossas e de nossos amigos, que vão povoar o espaço com a gente aos fins de semana. Espaço para bichos, plantas, luzes e muita claridade. Cores, frutas e cheiros de manga todo fim de ano. Pé de manga, amora, limão, laranja, café, romã... Vamos precisar de uma paisagista, já que ambos queremos preservar os pés, ao invés de fazer uma casa gigantesca. 
Você consegue (o milagre de) me deixar calma e livre de pensamentos apressados sobre trabalhos, dinheiro, contas etc. Consegue me deixar bem aflita e com sensações engraçadas ainda. Mesmo depois de quase 1 ano juntos. Quero muito tudo que pudermos ter. Só peço uma coisa: podemos ter portas azuis, daquelas bem lindas? 
Pode ser que algumas pessoas pensem que querer ter portas azuis depois de tão pouco tempo seja loucura. Coisa apressada... Mas, honestamente? Não vejo a hora. Somos incríveis juntos. Beijos e boa semana...

August 11, 2010

Sobre o zelo e a mulher

Imagem daqui.
Ser mulher é realmente uma coisa inevitavelmente trabalhosa e custa caro. Ontem dei graças a Deus por não ter desencanado de pagar meu convênio médico (que já não é muito barato). Quatro exames de rotina teriam me custado mil e trinta e oito reais sem o convênio. Posso com isso?
Mas vem cá? A pessoa vai lá, marca consulta com ginecologista (detesto esse nome), marca exames de check-up, vai fazer os exames, sente mil incomodos, passa por pequenas vergonhas necessárias. Na clínica é ainda mais estranho. Fui lá, clínica chiquérrima especializada na saúde da mulher. Morta de fome, já fiquei feliz pois vi que tinha um café por lá. Pedi um sanduíche de peito de peru e um suco de maracujá. Quanto é? Ah, de graça?! Que ótimo, obrigada...
Subi, me troquei, pus o roupão e continuei com as botas country - já vermelha de vergonha do que aconteceria naquela salinha. Fiz exames, gel para todos os lados, tudo bem, exames claros e tranquilizadores. Trocada novamente, desci... Me vê um capuccino, por favor? O melhor da minha vida. Juro. Saí de lá feliz da vida.

Tá. Feliz da vida. Não só pelo melhor capuccino que já tomei na galáxia, mas por algo muito mais elementar. Todo mundo sabe que meu maior sonho é ser mãe. E nesse ano decidi que começaria a preparar meu corpo para tal. Daqui a 2 ou 3 anos, quando decidir que é hora, tudo que depender de mim estará bem. Então fui ao médico fazer exames e com um certo medinho de aparecer alguma coisa de errado (como um bebê, hahahahaha - brincadeira), mesmo sabendo que as chances seriam mínimas. Mas, quando saí de lá com os resultados e já sabendo que realmente estou com a saúde mega em dia... Meu... Bateu uma, mas uma tranquilidade inexplicável.
E ainda mais: não foi só uma tranquilidade, mas um sentimento de completude pessoal e de repúdio a mulheres que não se dão o devido valor. Veja bem, não to falando de quem dá mais do que chuchu na cerca - cada uma sabe o que faz e aquilo que põe, literalmente. Mas daquelas que dão mais do que chuchu na cerca e se tratam como nada, jamais se cuidam, não tem o menor zelo consigo mesmas. Não sou puritana, nem moralista. To só defendendo uma única opinião: mulher tem que se cuidar mesmo. Nosso corpo é muito mais sagrado só pelo simples fato de poder gerar uma criança.

Mas ok. Pode só ser coisa de quem tem plena convicção de que quer ter um filho num prazo de dois anos. Mas zelar, não é só fazer exames e usar produtos e cuidar da aparência. Zelar mesmo é mais. É se amar e não deixar nada nem ninguém te fazer mal. E ter a cabeça tranquila em tudo que faz e por tudo que fez. É cuidar de verdade e saber onde pisa. Enfim. Ser mulher é não ser leviana. E saber que tudo, mas tudo tem muito valor. Independente das suas decisões e dos seus atos, tudo continua tendo muito valor.

August 04, 2010

Sobre o Frio e as Manhãs

 Imagem daqui.
Nesse frio, sair da cama é assunto proibido. Sento, enrolada no edredon e assim fico por uns 15 minutos. Levanto, vou fazer café e aos poucos acordando. Volto pro quarto com uma xícara, aquecendo as mãos. Tiro o pijama, congelando. Hidratante frio. Calafrios. Calça legging, blusa segunda pele, calça jeans, blusa de malha manga comprida, meia fio 40, bota. Arruma o cabelo em coque, lava o rosto, escova o dente. Make-up.
Bolsas. São duas. Afinal, meu dia de trabalho tem, no mínimo, 10 horas. Saindo, pensando na festa de mais tarde e nas amigas. Ônibus, iPod e sono. Muito sono. Livro. Desce do bus. Pega outro. Mais frio. Tava garoando. Bem fininho. Só o suficiente pra congelar os ossos. Chegando no trabalho. Mais café quentinho. Cigarrinho com a amiga.
Twitter, e-mails, rádio online, YouTube. Ligações, redigindo convênios, postando no blog. Quase meio-dia. Ainda bem. Fome. Mais trabalho e daqui a pouco outro. Preciso de um tempo pra escovar o cabelo ainda. Tem festa, tem festa! Notícias bizarras e muitos calafrios subsequentes. Agora quero um chá. Trouxe um miojo pro almoço. Música e sons.