September 29, 2009

É a minha condição II

Sunshine, meu cão.

A cada dia que passa eu me sinto melhor prepara pra mim mesma. O único problema é que ainda estou com uma dificuldade gigantesca de deixar o passado no lugar dele. E esse passado tem nome. Endereço. Sobrenome. E ele disse pra mim que nossa filha pode chamar Valentina se eu quiser. Mas, ao mesmo tempo, é um nível de problema que eu não quero pra mim.
Acredito que as coisas só acontecem quando devem acontecer e tudo tem sua razão de ser. Acredito piamente nisso e poderia chorar copiosamente pensando na possibilidade de que por maior que seja a agonia em alguns momentos, por pior que seja a sensação de qualquer coisa escoando pelos dedos, tudo tem seu propósito e uma lição de aprendizado no final. Paradoxo, hã? Nem tanto. É só a incapacidade de aceitar as coisas como são. Mas não, eu não choro mais copiosamente. Faz tempo. Às vezes até gostaria! Mas não consigo mais.
Cheguei a conclusão de que por todo sentido que já fez, não é pra ser agora. Alguém ainda precisa aprender algo enquanto é tempo. E o tempo é esse: o dessa vida. Vai ver sou eu mesma. Vai ver é ele. Vai ver ele precisa aprender a chegar nesse nível de temperança, possivelmente através do nível de sofrimento que tem passado durante toda sua vida. A solidão que lhe é iminente e presente é plantada por ele mesmo. Ele é muito difícil. E eu já tentei simplificar. Demais. Porém, contudo, todavia, simplesmentee é algo que não é pra ser agora.
Talvez ele seja a prova final pro capítulo desapego&aceitação da minha cartilha. Talvez eu seja o karma da vida dele. Isso me faz rir. Talvez nossa história não venha só dessa vida. Na verdade, na mais pura verdade, essa é a minha única certeza dado nosso grau de cumplicidade. Um se admite muito claramente pro outro e talvez um dia eu entenda a razão. Mas hoje em dia não tá rolando e eu to abandonando esse assunto por hora. Ou ao menos tentando. Novamente. Condiçãozinha salafrária essa, viu.
Que venham mais paixões avassaladoras. Como uma história escrita com estilo. Seja lá qual este for. Só não pode ser insalubre.

É a minha condição I

O que eu aprendi desde o começo do Processo de Seleção do Programa Próximos Líderes da Natura, tenho me deparado com questões controversas e reconhecendo a mim mesma em alguns aspectos que visualizo mudanças as quais esperava há tempos. Minha temperança, escolhas, paciência, foco, capacidade de mediação aumentaram/melhoraram. Definitivamentee percebi um perfil que há tempos eu estava buscando desenvolver: de quem não foge de conflitos, mas que, definitivamente, busca o alcance de acordos. Prefiro o jogo de soma positiva, sendo que já fui muito de comprar brigas, mesmo quando sofria horrores com o resultado emocional disso.
Com certeza meus últimos episódios de vida colaboraram com isso, essa coisa de todos ao meu redor, por muito tempo estarem com sérios problemas, ou fazendo com que assim o fossem e (eu) me jogando no meio da faroda, me estressando, correndo feito louca pra resolver a vida alheia... ai. Não foi uma decisão do dia pra noite, não foi um "ok! não quero mais! saí daqui!", mas foi uma sucessão de escolhas mais leves e amenas. Amenidade. Essa é a palavra chave para o bem-estar. Ou algo bem próximo disso.
Poderia ter surtado se fossem outros tempos. Mas eu e a minha fé na vida escolhemos a temperança ao invés da tempestade acolhida. O bem-estar ao invés do inferno astral. O reconhecimento de conquistas ao invés da reclamação constante. Parece até que tenho uma voz narrando minha caminhada. Uma voz feminina que sabe de mim muito mais ainda do que eu ou qualquer outra pessoa. Tudo enquanto eu lembro das palavras da psicóloga sobre o apego emocional. Ou sobre a gratidão que não se esconde. Enfim, muitos assuntos intrísecos.
O problema são os outros. Isso tem cabido bem nos últimos tempos. Sem perceber aprendi a não sofrer a dor do outro como se fosse minha, a não tomar o desespero alheio como meu. Se continuar assim, daqui a pouco tempo vou ter a coragem pra muito mais, como por exemplo estudar gastronomia sem ficar pensando no tempo gasto que eu poderia estar estudando qualquer outra coisa. Sei lá. Isso merece um outro post.

September 20, 2009

[that's an order II] esteja lá/dê aquele sorriso que só eu entendo/me conte tudo/esteja perto/me mande mensagens/códigos/chaves/me beije com ardor quando eu chegar/diga que não pode mais viver sem mim/ veja o filme comigo/diga que eu alegrei seus dias cinzas/ use preto/ me compre um livro/me oriente/ me apresente/ me desequilibre/ me dê um apelidinho idiota/ sussure/ tome um drink comigo/ me dê uma carona/ entre no meu sonho/ durma comigo, abraçado/ligue pras minhas manhas/seja cavalheiro/viaje comigo/seja surpreendivel/me diga palavras novas/não duvide de mim/não tanto/me peça pra cozinhar/compre um vinho branco/ apareça de repente/ se mantenha/ entenda meus limites/me toque/ tenha algo no olhar/tire uma foto/me dê um doce/me acalente/diga o que precisa dizer/almoce comigo/afague meus cabelos/me conte piadas/me abrace na rua/não chore a toa/ me corte/ discuta comigo/tome chuva/ seja cético/escute a minha música/ofereça pra mim/dance comigo/dance pra mim/acredite/me leve pra ver o por do sol/ seja inedito/seja clássico/pegue a minha mão/[that's an order II]

September 10, 2009

Desapego&Aceitação

Dois amigos terminaram um relacionamento. Na verdade é um amigo e seu companheiro, que por convivência virou aquele tipo de amigo do qual podemos abrir mão facilmente. Um não-quase-amigo. E esse me ligou pra chorar ao telefone sobre o término, falando sobre as dores do fim. Enquanto ele falava eu apenas pensava comigo: isso passa. E passa mesmo. Já tive muitos fins, alguns bem mais complicados por culpa minha mesmo, pela incrível capacidade que tenho de prolongar e aumentar sofrimentos. Mas um dia passou.
Depois desses fins todos, finalmente aprendi a sofrer só o necessário, só naquele momento. Por que piior que sofrer é sofrer demais. Depois que passa, depois de tempos, vem os momentos de reciclagem emocional. Algumas fáceis e simples, outras nem tanto. Às vezes na reciclagem aproveito pra soltar os cachorros, mas geralmente é especialmente pra lançar mágoas e nunca mais pega-las de volta. Daí vem o mais natural pra mim e o que poucos conseguem compreender em mim depois: depois que as mágoas passaram eu não gero mais ressentimentos e consigo reatar relacionamentos, não amorosos, interpessoais mesmo. Passo a borracha, até por que sempre acredito na renovação das pessoas, não na mudança. Essa coisa de mudar é muito difícil, ela não existe assim. Mas a mudança de perspectivas é o que altera todo o fluxo das coisas.
Eles tiveram um relacionamento complexo e duradouro pros padrões que conhecem. Os dois sempre muito unidos, mas agora não fazia mais sentido, especialmente depois dos abusos cometidos. Mas quando passar, coisas boas ficam. Pensando nisso, ontem consegui jogar fora cartas que não faziam mais sentido pra mim. Que não deveriam mais me lembrar de nada, nem resgatar minha memória seletiva. Leveza e paciência. Sempre precisei ter. E dá-lhe fé na vida e no andamento das coisas...

Não-hegemônico / ella baila sola ... umpardedois

- Jamais vou te atrasar.
- Eu sei.
- Você precisa deixar de ser...
- Medrosa...
- Mais ou menos. Acho que não era o que eu queria falar – pausa. Pra onde você for eu vou contigo. Até se for outro país.
- Bom mesmo.
- Vamos rever essa conversa quando estivermos sóbrios?
- Acho melhor...
- Se alguém algum dia encostar um só dedo em você...
- Eu sei.


Etapas. Quantas etapas de vida são necessárias para que uma situação se encaixe? Quantas tentativas uma pessoa pode ter pra tentar explicar o que só se pode sentir? Como se pode ter certeza? Ter o que? Certeza?! Não... Isso nem com muita estratégia. Diga lá apenas sentindo. O negócio é o seguinte: alguém aí alguma vez parou e percebeu que depois de quase 6 etapas algo simplesmente fez sentido?
Sem promessas. Sem lamúrias. Sem verdades absolutas ou divagações sobre o futuro ou passado. Mudanças de perspectivas de ambos os lados teve sim. Água debaixo da ponte teve muita. Intimidade e complacência, mais ainda. Depois de muitos anos. Não é nem intimidade, a palavra certa seria... cumplicidade. É o barato do sentido de novo. Ninguém tentou se convencer de nada, ninguém tentou convencer o outro de nada. Ninguém usou máscaras. Seria ridículo, afinal um conhece ao outro tão na essência que chegou a ser patética fazermos perguntas das quais já sabíamos as respostas. E ao mesmo tempo sabíamos exatamente o que o outro buscava ouvir. E falávamos, com toda a naturalidade que só o que é genuíno poderia ter.
Agora me diz, como? Como? Descobri que tem um lugar no qual cada etapa que se passa mais eu me sinto a vontade. Como? São quase 6 anos. Mas depois que você larga as armas, consegue enxergar uma verdade que antes não se via. Ou melhor, que não se contemplava em toda sua essência. O foda é quando você faz uma lista mental de todas as coisas que você gostaria de ouvir de alguém, mas ouve tudo da pessoa menos improvável possível. E o pior: faz sentido e se você contestar estará mentindo, porque no fundo você sabe que esse sentido e conforto e naturalidade e cumplicidade são verossímeis. Daí o que se faz? Compra-se a briga? Começa a preparar terreno? Dá risada? Porque depois desse encontro tão lúcido e simples, a única coisa que não dá pra fazer é ignorar. Na verdade eu não quero ignorar.
O mais foda ainda é quando você observa e percebe (é arrebatada pela constatação de) que o momento mudou para ambos. E daí o susto com a naturalidade de como as coisas soam é demais e difícil de assimilar. Pois nunca foi assim. Não me pergunte o que tanto mudou. Só vejo agora duas pessoas... que nem sei no que hoje diferem do passado. Sempre existiram peças que não se encaixavam naquele fantástico e atormentador quebra-cabeça. Mas hoje ele não é mais um quebra-cabeça... é um romance de não-ficção, muito bem amarrado, como um Anna Kariênina. Não sei explicar o que só posso sentir agora. Só peço que confiem em mim. Pois não sei por que, mas vale uma chance e eu quero essa chance. Não pergunte por que e não me julgue, apenas tenha confiança, assim como eu confiei no tempo e nos atos que eu nem sabia que ele havia tido. Foram anos dele me observando de longe.


- Você sabe que não é mais uma disputa de egos, você percebeu?
- E você sabe que eu nunca duvidei de que...
- Eu sei.
- Ta... É que essa coisa de trajetória...
- Você realmentee comprou uma jaguatirica?
- Nós não estamos sóbrios...
- Mas isso é um sim?

August 28, 2009

.keep.me.in.mind..o.desesperamor.

[that's an order] Passe mal antes de dormir/Fique vermelho quando pensar em mim/Ria quando lembrar da minha risada cor de rosa/Suspire quando sentir denovo meu perfume/Me chame pra dançar/Fica comigo até o fim da noite/Me paga uma cerveja/Vamos falar de coisas nonsense/Me abraça./Você me lembra laranja, a cor/Mas às vezes também vermelho/Então, dessa vez, não seja cafajeste/Se recuse a me amar se não for por muitas vidas/Dedique o que quiser/Mas seja real/Pegue o ônibus certo/Esteja na minha rua/Vá, me deixe em casa/Me chame do que quiser, desde que me arranque um sorriso de canto de boca/Ou uma gargalhada/Pra que tanta integridade?/Cause/Não importa/Me cause problemas/Queira estar/Queira só/Machucando meu rosto com essa barba por fazer/Você e seu cheiro de coisa boa/Olhe pros dois lados/Diga pros outros até que cansem/Case comigo/Quase absoluto/Constrangimentos/Nuvens/Te confessa/Te confesso.../Me dá um presente/Me escreva uma carta/Me deixe flores/Limão!/Suor/Penas/Danças/Olhos/Pernas/Ouça aquela música/Só diga o meu nome/Muitas vezes/Não vá se perder por aí/Acorde pensando na hora na qual nos veremos/Cale-te, boca!/Seja o responsável pela minha ostentação visual/Cara, me tira o fôlego/Me segura/Me beija/Pede pra eu ficar mais perto/Praxe/Apareça/Faça parte/Goste deles/Saia/E me faça o favor de voltar/Fica mais/[/that's an order]

August 17, 2009

Deus e razões para ser bom/mau e viver até a última gota.

Este link é para a primeira parte da entrevista com Richard Dawkins, um biólogo evolucionista com obras realmente intrigantes e que eu, com toda a minha fé que não é segredo pra ninguém, assino em baixo de muitos de seus argumentos contidos nesta entrevista. Fiquei muito curiosa pra ler sua obra, especialmente "Desvendando o Arco-Íris" e "Deus, um Delírio". Para quem quiser, a segunda parte da entrevista será apresentada hoje a noite, no programa Milênio, pelo canal GloboNews da TV a cabo. Quem não tiver esse tipod e serviço ou não puder assistir, no site depois também terá o vídeo.

...

Como ele mesmo diz, o propósito da vida é cada um que faz o seu. E mesmo cheia de fé como sou (vide meu último post), não posso jamais deixar de viver como se essa fosse minha única vida, mesmo sendo espírita e mesmo acreditando piamente em reencarnação, assim como acredito no ar que respiro, naturalmente desse jeito.
Me peguei pensando outro dia que se fosse possível ser muitas coisas ao mesmo tempo, trilhar múltiplos caminhos e aderir furtivamente a vários gostos e gêneros diferentes ao mesmo tempo eu o faria. Sempre fui muito plural e já me critiquei muito por ser multi/pluri como sou, de ser capaz de amar rock/samba/clássicos/gay-music e mpb da mesma forma, de querer ser internacionalista e editora e jornalista e médica e engenheira ambiental e filósofa, de querer viajar pra mil lugares e ganhar rios de dinheiro, ao mesmo tempo que me encanto tão genuinamente pelo simples&necessário, de me iludibriar com o brilho de um brilhante enooorme numa aliança de noivado, ao mesmo tempo que aprecio a beleza nua e crua, natural e poética, de pele e aromas.
Demorei pra me aceitar plural, pois sempre sofria buscando a linearidade e a lógica de mim. Mas a minha linearidade e lógica estão justamente na falta delas! E ser multi/pluri não me impede de ser soberana, como sempre fui.
De quantas vidas eu precisaria pra ser capaz de ser tudo o que eu desejo ser? Para ser todas essas Clarissas e de exercer todas essas funções no mundo, que é o que eu faria se a clonagem humana e o pensamento coletivo entre meus clones fossem possíveis! Então é por isso que eu não perco tempo e devoro essa vida e toda sua composição. Pois quanto mais tempo eu passar no superficial, menos me sentirei realmente envolta pelo turbilhão de cores que eu amo. Devoro cultura, vivências, pessoas. Esforço forte pra absorver tudo e assimilar informações recebidas, sempre aceitando-as na medida em que chegam, procurando nunca negligenciar e se possível jamais as recusar ou anular nenhuma delas.

August 12, 2009

Engraçado a força que as coisas parecem ter quando precisam acontecer

eu mudei.
mudei de casa.
mudei depois de 23 anos, 8 dias e algumas horas.
e não há nenhuma maneira sutil de dizer isso.



Isso me trouxe uma alegria imensa, medo, duvidas, incertezas...e uma nova postura de vida.
tudo é novo, até o que já fazia parte de mim há uma eternidade.
Isso me fez rever relações. familia. amigos. amores.tudo.
Isso me deu um sabor na boca, todo diferente, agridoce.
Isso me deu mais fé, mas vontade. vontade de me organizar, de cuidar, de ter serenidade.
ser serena.

a musica não pode parar de tocar. atravesso a rua, meu passado tá. e ele é tão seguro. é tão bonito. minha vó tá lá. mas como ela está comigo sempre, não tem problema.

é tudo nosso. da chave que abre o portão à minha cortina de box branca. e eu tô simplesmente encantada com isso.


All those good things


Minha vida tá super fora do eixo. To sem trabalhar ainda por causa da cirurgia, me sinto carente volta e meia (e como volta), mega acima do peso, mas indo pra academia, ainda não fiz minha rematrícula da faculdade por falta de dinheiro entre outras coisas... Enfim, aspectos vários. Mas, apesar disso tudo, estou serena. Feliz. De coração leve.
Isso possivelmente é porque consegui resolver alguns assuntos afetivos pendentes e tive momentos realmente memoráveis com alguns dos meus amigos nos útlimos tempos e isso tem me deixado extremamente realizada. Vai ver é porque eu organizei todas as minhas revistas, cd's e dvd's por título e cronologia ontem à noite, encontrando alguns cd's que gravei há anooos atrás e os reouvi, dando risadas enquanto lembrava de detalhes engraçadíssimos de baladas e momentos ao lado de pessoas incríveis. Também pode ser porque finalmente escolhi não dar ouvido à questões que não são minhas na minha casa, ou melhor, decidi ser mais eu, apesar da cobrança e neura do outro.
Pode ser porque ano que vem vou estar no meu cantinho, talvez e possivelmente o compartilhando com um dos meus melhores amigos e pessoa de luz muito forte que, por razões de sigilo do nosso plano, ainda não posso revelar seu nome! Porque também pendurei na parede meu quadro de metal prontinho para receber as fotos que serão tiradas na praia este fim de semana com as meninas e o Vander tocando o Rei Roberto no violão com sunga caribenha. Impagável!
Mas o fundamental, estou tranquila (e disso eu tenho certeza) pois dentro de mim existe uma chama enorme de fé na vida e no amor, que me diz pra não me desesperar, pois minha trajetória está prestes a ser redefinida pelos planos, os quais não fui eu quem traçou.

Fé. Con fides. A vida é muito maior do que imaginamos. ;D E minha noção de que o curso natural dos acontecimentos é sempre o correto, de que nada acontece sem um propósito muito bem definido, me enche de paz e plenitude. Plenitude que me faz pensar que, independente da oportunidade que eu abraçar, vai dar certo, vai rolar e vai ser incrivelmente bom e inesperado e eficaz. Como tudo sempre foi na minha vida.

August 10, 2009

Arde aqui dentro de mim uma pouca vontade,com gosto cortante de caco de vidro, desnutrida exposta a fratura, desequilibra/desequilibrio.
são tantas saidas dadas ao absurdo, são tantos sabores destrutivos,veneno pro dia corrosivo, desequilibra/desequilibrio.Certo das contradiçoes desconcertado, desgovernaçoes prostituido, descalço no chão estilhaçado,desequilibra/desequilibrio.O passo pro fim foi conquistado, desdem tão comum em meus ouvidos, ligado na sobra do pedido,desequilibra/desequilibrio.Mais sobras dadas ao desperdício, mais veias tapadas por excesso, mais contribuindo incentivando,desequilibra/desequilibrando. Deformaçoes voluntarias sucessivas, se todas as cores fossem pretas, em todas as partes meu planeta,desequilibra/desequilibrio.

July 29, 2009

Sobre o Timing

Pela Wikipedia: The act of measuring the elapsed time of something or someone...
O Timing é aquilo que se liga ao que devemos fazer, no geral. Mas, no fundo, o Timing mais importante está relacionado às coisas que queremos fazer, aos nossos desejos de coração, às demandas das pessoas que amamos e às nossas próprias de quando desejamos algo que aconteça conosco ou para nós, seja vindo dos outros ou de nós mesmos. Nossa percepção muitas vezes é falha e é exatamente por isso que temos que estar em sintonia com os acontecimentos, processos e andamento do que importa, pois, uma vez que o timing passa, ele passa. Perder aquele momento especial não tem volta. Meu avô já dizia: existem três coisas que não se pode voltar atrás – a bala depois de atirada, a palavra depois de proferida e a oportunidade depois de perdida. O Timing exato tem a ver com tudo isso. Quando o perdemos, já era a oportunidade de estar lá. E isso acontecendo, nossa, como é ruim.
Nosso Timing está ligado à percepção e à mensagem que recebemos de fora. O ideal seria que nossa percepção e mensagens recebidas fossem claras e fáceis, mas geralmente não é assim. Logo, demanda esforço não perder o bendito Timing, nosso reloginho interno que nos desafia a sermos atenciosos, zelosos e conscienciosos. É ele que nos proporciona aqueles momentos memoráveis e aquelas melhores lembranças dos dias em que não o perdemos e participamos de algo gigantesco. Essa coisa gigantesca às vezes é nada mais nada menos atender a um “preciso de você” oculto em conversas leves ao telefone, mas que são pedidos de socorro para situações limite, situações tensas e pesadas, quando precisamos que o outro perceba e participe do Timing da coisa.
Nosso mundo é muito rápido. Rápido demais pra sermos eficazes o suficiente para não perdermos o Timing de tudo que nos chama, das coisas do coração que nos envolve e envolve os que amamos. Eu, pelo menos, às vezes sinto muitas demandas no ar, especialmente em relação à mim mesma, que não pego. E isso também acontece em relação aos outros. Somos sempre mestres em gerar expectativas, mas esquecemos que a mensagem importa mais do que tudo. Cobramos a nós mesmos e aos outros por Timings diferentes. Às vezes, não é tarefa fácil essa coisa de comunicação. Parece simples, mas o radar emocional é de cada um e todos se confundem muitas vezes, resultando no Timing que dá tchauzinho ao virar a esquina. E não adianta correr atrás, porque esse ingrato não volta pra você. Mas ele deixa um post-it que diz: não perca os próximos. Just be there.
É o tempo daquele olhar, daquele desejo de atenção e de respaldo emocional que queremos do próximo, aquele ombro que tem que vir! Ele tem mesmo que vir! Aquela necessidade de percepção alheia, afinal, a demanda acaba sendo tão grande! Como não percebem? Por pura desatenção que se confunde com leviandade. É não perder a oportunidade de se fazer presente, de sair com aquela pessoa, de dar aquela chance, de dizer que sim! Sim, eu vou, sim, eu quero... sim, sim, sim! Sim, eu estarei lá. Não vou deixar passar o sentiment daquel momento, não vou deixar a desejar, nõ vou nos decepcioar. É assim que funciona: interesses atendidos, interesses afetivos que são sim necessários. Demandas, vontades, desejos, chame como quiser, não importa o caráter da coisa, é simplesmente o Timing. Depois dele, perde o sentido.

July 17, 2009

drama cotidiano surreal latino-americano

hoje eu acordei
é dia do meu aniversário
estou apaixonada
por um homem que eu não conheço
ele parece um sonho azul
infinito, como um dia de verão imortal e limpido
ele é doce
ele é bala de coco, doce de leite
ele é citrico
e me lembra a infância mais bela, mais açucarada
eu me perco na engraçada articulação de meus pensamentos
tão infantis, tão inacabados
gostaria de te-lo por aqui
por que eu o desejo a-r-d-e-n-d-e-m-e-n-t-e
eu o espero
temperando meu discurso pra quando o encontrar
quero ser idealizada
como eu o idealizo
como eu o quero
sexo, juventude e outros acidentes
temperança, musicalidade, controle do imaginário

June 29, 2009

M.J.



By Sagá
Michael Jackson pra mim foi o gênio do pop, da música, da inovação, do videoclipe, da dança, do comportamento, da voz e da energia. Ele era mais do que um artista pop. Ele era o pop. Vi uma vez ele entrando no palco pra uma breve participação num prêmio de música e assim que ele entrou no palco eu, vendo pela TV, paralisei tamanha a energia que esse homem carregava. Uma energia de transformação.
Magnânimo, complexo, simplesmente ele. Difícil de ser rotulado. De todas as reportagens que já assisti de ontem pra hoje, mesmo quem vai criticá-lo o faz com um respeito gigantesco. Ele não era preto, não era branco, não era homem, não era mulher, nem bom, nem mal, nem fácil, nem difícil, sempre ilimitado, americano, não-americano, ele simplesmente era. E nós não podíamos deixar de prestar nossa homenagem e a Aly vai imprimir aqui nosso pensamento.

By Aly
Deixamos o furacão Michael Jackson entrar em nossas vidas porque sempre ansiávamos pelo novo, pelo intenso, pelo jovem. Dancei e pulei com o disco “BAD” a minha infância toda. Todos queriam ter o seu gingado, sua força, seus movimentos. Michael era o Brilho, em todas as suas formas de produção. Incrível como a perda dele se constitui numa perda real, doída. Perdemos a referencia do que é ser POP. Do que é ser enorme, do que é ser devorado pela fama, pelo fardo, pelo consumo ilimitado, pela segregação racial, pela destruição de uma família, pela solidão. Michael Jackson não só foi o ponto revolucionário da música pop, mas foi também um artista completo.
Ele compunha, ajudava a criar aquelas coreografias INCRIVEIS, dava idéias mirabolantes para a construção de seus figurinos de show, criando assim um novo panorama de moda e comportamento. Não bastasse tudo isso, ele realizou o videoclipe mais fantástico de todos os tempos, (não tenho palavras pra explicar o Thriller significa pra mim) e a partir dessa perspectiva o mundo passou a enxergar o videoclipe como um pequeno filme, investindo em estéticas diferenciadas e arranjos mais sofisticados. A MTV, assim como muitos artistas de todo mundo, deve sua existência à Michael Jackson.
Observamos todos os detalhes da carreira de Michael, ávidos por novidades bizarras, por fetiches estranhos e muito luxo. Acompanhamos sua queda. Acho que no fundo queríamos vê-lo cair, pra que ele pudesse se reinventar, ressurgir, voltar a brilhar. E com pesar, acho que a morte foi a sua redenção. É difícil não se emocionar vendo o seu inicio no Jackson’s Five, tão novo e promissor. Seu rosto inocente me impressiona, porque apesar de toda a loucura, todas as plásticas, abusos com a saúde e escândalos sexuais ele tinha um quê de Peter Pan mesmo. Um olhar de menino perdido na selvageria que se tornou a sua vida.
Custo a acreditar na morte de Michael por que ela é ta surreal quanto a sua própria existência. Ele fez tanto pra musica que simplesmente é difícil acreditar que ele pudesse realmente morrer. Michael, tão normal, tão frágil, tão humano. Não condiz com o imaginário que criamos dele. Não condiz com os 100 milhões de cópias que o Thriller vendeu. Não condiz com que eu quero acreditar.

June 22, 2009

El lado oscuro del corazón ou Salve Mario Benedetti


No te quedes inmóvil
al borde del camino
no congeles el júbilo
no quieras con desgana
no te salves ahora
ni nunca
no te salves
no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo
no dejes caer los párpados
pesados como juicios
no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo

pero si
pese a todo
no puedes evitar
loy congelas el júbi
loy quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino
y te salvas
entonces
no te quedes conmigo.
(no te salves - mario benedetti)


Do filme El Lado Oscuro del Corazón me ficou a melhor das imagens sonoras que pude ter: a cena em que Oliverio recita esse poema pra puta pela qual é apaixonada. Gente. Pára tudoo! O filme eu já amei por ser, em sua maior parte, rodado em Buenos Aires. Já amei pelo artísta plástico e suas criações revolucionárias. Fiquei numa coisa meio sem saber cada vez que ouvia um poema, os quais depois fui descobrir que meus prediletos eram do Mario Benedetti. Descobri Mario Benedetti. Sensibilidade que ganha qual-quer mu-lher se recitado ao pé do ouvido. Homens, confiem. Um Deus de tudo que faz a gente desabar. Esse homem sabe das coisas.

E eu que ia falar do filme, mas Mario Benedetti me ganhou! Não adianta!
Só pra vocês terem uma noção: rostro de voz, outro do mario recitado pelo oliverio
No youtube tem um monte de trechos. Mas vai, assiste o filme todo! É uma viagem do começo ao fim.

Confessionário particular - Sagá p/ Aly

Ai, amigaaaa!!!Eu tava aqui lendo os posts passados do nosso blog! Mas assim, passados mesmooo! Os de 2006! E morrendo de rir sozinha aqui! Embasbacada de como nossas cabeças sempre foram à mil! Nossos surtos e psicoses momentâneas eram bem mais aparentes! Nós éramos mais coloridas mesmo. Mas bem mais menininhas tb... que lindo...rs
As aspirações mudaram um tanto qto muito, mas nossos desamores e amores continuam tão presentes nas nossas paixões de alma qto antes.
Eu era mais politizada sim, mais culturalista e culturalística, coisa que a Mary jah tinha percebido. E em certa época a palavra tequila aparecia com uma frequencia muito maior do que hoje em dia.
Nós falávamos muito mais de shows que íamos e de nossos rolês homéricos. Mas ALY! Ainda há esperança pra esse nosso processo de enfadonhamento. Ainda temos as mesmas paixões de alma e reler os posts de 2006 me safou de umas duas horas de psicóloga, pq consegui me dizer denovo que não estou tão genérica quanto pensava! Eu ainda tenho as mesmas paixões de alma. E você também.
NÓS AINDA SOMOS AS MESMAS ASPIRAÇÕES. NÓS AINDA SOMOS AS MESMAS PAIXÕES. SÓ TÍNHAMOS ESQUECIDO UM POUCO DISSO.

Sinto uma coisa por ele que meu coração não ousa classificar

o teu amor é uma mentira
que a minha vaidade quer
e o meu poesia de cego
você não pode ver
não pode ver que no meu mundo
um troço qualquer morreu
num corte lento e profundo
entre você e eu


eu nunca quis te cortar da minha vida. nunca. entre todos os propósitos, todas as coisas que nós dissemos um ao outro, você nunca saiu. porque um dia eu acordei e amei você, amei com a intensidade de quem ama o sol. era tão bonito, tão completo. não me desfaço de você para não me desfazer de mim, sem laço, sem glória.
e quando você diz que minha respiração muda, que meu tom de voz muda é porque eu me agrego a você na tentativa de entender o sublime que há em nós.
você entende?
eu disse tanta vezes o seu nome dentro de mim.
e quando eu te odeio, quero dizer que sinto muito por tudo o que você causou, sinto muito por te querer bem sempre. E só Deus sabe o quanto isso é horrível.
querer bem a quem nos mutilou é como sangrar até morrer
é a alegoria dos desesperados
é a irônia maior da vida

no principio era o caos
enxergar na morte a vida
enxergar a morte em você
e em toda a temperança que nos rege.

June 19, 2009

Acho que já estava na hora



Vida louca vida

Vida breve

já que eu não posso te levar

quero que você me leve


Travo uma discussão comigo mesma há alguns (e não são poucos) meses. Um movimento cíclico toma conta de mim e dos meus amigos, um movimento angústiante e cinza. Estamos cansados de uma coisa que não sabemos o que é. Estamos nos abstendo da nossa vida, do nosso amor, da nossa juventude. E rezamos todos para que seja uma fase. Mas essa ansiedade mata, fere, corroí.

A vida não anda acalorada e colorida, não sinto mais o sabor das coisas simples. Me tornei uma máquina, processo as coisas que tenho que fazer de uma forma fechada e reducionista. Prefiro dormir a qualquer coisa. Minha casa não é mais meu refúgio, é meu esconderijo. Me escondo atrás de desculpas esfarrapadas, de livros que eu não vou ler, de um copo de café quente e forte, de filmes que eu já vi. Não tá certo, alguma coisa não tá no lugar.

Não me permito pensar em algumas coisas doloridas, é aquela questão monstruosa do medo. Deus, quando eu me tornei tão medrosa desse jeito? Eu custumava jogar tudo pro alto, correr atrás do prejuizo e me divertir no meio tempo disso tudo. Os turbilhões serviam pra eu absorver algo, e depois que a tempestade passava eu sempre me sentia mais confiante, mais concisa.


Agora nem presto atenção nos turbilhões ou tempestades... Tô absorta, tô tão por fora.

Tô deixando as coisas no zero a zero sabe? Não ganhei? Pena. Ganhei? Sério??? Legal.

Eu teorizo o tédio de uma forma engraçada e providencialista. Falei, mas já falei muito sobre toda essa situação, mas é incrível como eu me movi muito pouco pra mudar o rumo das coisas. Já dizia Marx, os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem...

E todas as palavras, todo o discurso só me deixam mais cansada. Chega de reclamar uma hora né? Nossos vazios, nossas perguntas e toda a angústia ficam pra trás, moídos na poeira do tempo.

E como disse a Clarissa ( que faz parte desse processo) esse post pode ser mais longo do que as minhas expectativas...

Eu sou aquela Aline que é naturalmente uma bagunça, mas que sempre deu um jeito de organizar as idéias, a mente. Aquela que adora passar a noite vendo filmes antigos, que acorda tarde no domingo, fica com remorso e vai no cinema sozinha, sem problema algum. Ainda é aquela que adora tomar um café ou uma cerveja com os amigos quando eles precisam, quando ela precisa. Aquela que adora, ADORA as noites de sexta no Paraty. Que adora cozinhar para todo mundo, adora assistir Sex and The City com a Cintia (tomando vinho e sorvete). Que vê na História o combustivel pra vida, e quando entra numa livraria...segura! Que adora encontrar a Mary, a Clarissa, o Vander, a Cintia, a Vanessa, a Maíra, a Deborah e mais quem quiser chegar no metrô consolação, às 23:00 pra descer pra pista de dança até cansar. Que adora o ritual da tequila no Balcão da Dj Club. Que adora cuidar, ficar junto, abraçar, morder e morrer de amor. Que pira ouvindo queens of the stone age e chora ouvindo Cardigans. Que adora passar horas jogando "uno meu querido' e papiando na casa dos amigos. Que Adora abrir a sua casa. Que Adora sabados ensolarados e tem uma seleção especial para dias chuvosos. Que adora estudar tomando vinho e adora Rum com soda.
Que adora tatuar. Adora escrever. Adora uns porres de vez em quando.

São colocações pontuais de coisas tão simples e imensamente prazeirosas que eu deixei de fazer. São coisas que me ajudaram a constituir o que eu sou. Há um poder na juventude que me fascina e ao mesmo tempo me faz ter medo de não aproveitar o que eu acho que tem que ser aproveitado. Não quero trocar uma vida de responsabilidade por uma vida de rolê eterno, mas quero poder usufruir de uma coisa que não temos usufruído: a diversão, pura e simples. Quero a risada dos meus amigos, quero o movimento, quero a ajuda deles pra atravessar esse vale de espera e incerteza.

June 10, 2009

"Troca de chip"

Cantar, é mover o dom
do fundo de uma paixão
Seduzir, as pedras, catedrais, coração
Amar, é perder o tom
nas comas da ilusão
Revelar, todo o sentido
Vou andar, vou voar, pra ver o mundo
Nem que eu bebesse o mar
Encheria o que eu tenho de fundo
(Djavan - Seduzir)

Sabe que eu fui na psicótica, né. Tá, psicóloga. Fui ontem. Gostei dela, sabe... Principalmente pq ela me joga questões no colo como nenhuma outra fez antes. (ui!) E ela me passou lição de casa. E ela é kardecista também. E ela faz um realinhamento de chacras que, menina! Nem te conto...
Algum tempo de conversa depois, a bonitinha me lança que eu preciso retomar do ponto onde comecei a abandonar as minhas paixões de alma. Afinal, somos o que sentimos e não o que racionalizamos. Por mais que você possa achar o contrário, você e todo o mundo, não é a razão que mostra quem eu sou. Ou você, enfim. Mas sim a maneira como você acha em resposta a sentimentos. Alguma novidade nisso? É meio complexo, especialmente quando isso vai contra absurdamente tudo o que geralmente nos dizem em todos os lugares e em todas as esferas da vida.
Use a cabeça! Use a cabeça! Racionalize! Seja racional! Tenha a cabeça no lugar! Siga os fatos! Julgue de acordo com os ditados! Ouça! Pô! Sempre fui a mega sentimental. E quando me ensinaram que eu deveria ser de outra forma a farofa começou. Claro! Nada tem receita de bolo. É fácil dizer como o outro deve agir, né. Sei lá, to começando a fazer confusão denovo.rs Mas no fundo a farofa começou a dez anos atrás, quando eu comecei a aprender o que era ser humano de verdade. Depois disso, só avalanche.
O ponto é: parei. Parei de me desdobrar em 5 Clarissas diferentes a fim de realizar feitos impossíveis. Pesa muito, sabe? Dói os ombros. Fere. Massacra a auto-estima. Quero agora retomar calmamente algumas coisas e ser mais constante e não esse brainstorm ambulante que tenho sido há tempos. Retomar meus gostos, minhas aspirações e pequenas vontades. Relembrar coisas simples que eu já esqueci faz teeempo...

Daí é que eu digo: esse post pode ser um pouco mais longo do que inicialmente eu previ.

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Eu sou aquela Clarissa que adora cantar, mas que abandonou o coral por razões das quais nem se lembra. A menina que é intensa e que ainda é cheia de apegos. Que ama Regret, do New Order e que já foi muito mais fã de Moby do que hoje em dia. Que ri com muuuita vontade sempre, sem se envergonhar quando olham torto. Que abraça quando sente que é. Uma que sempre gostou do termo 'engajada' e que gosta quando dizem que sua cabeça é cultural. Costuma dizer por aí que não existe gente que não gosta de cultura e arte, só existe gente que não achou a cultura e arte certa pra si - afinal, tem pra todos. Que ainda não sabe direito o que quer fazer, mas que acredita que ainda vai encontrar (e tomara que logo) o que realmente deseja. É que ela ainda não se perguntou, ela só andava tentando descobrir através do que é cool e recomendável por especialistas.
Essa doida, que sou eu, tem dificuldade em fazer escolhas. Diz a psicóloga que quem tem baixa auto-estima costuma ser assim. E deve ser mesmo. Mas ela tem convicção de que suas listas podem ajudar nessa. Uma a uma ela sabe, ao menos de início, onde cortar suas amarras. Ela sabe o que tem em casa que precisa ir embora. Ela sabe as palavras que deveria sempre usar. Algo como 'não, não posso'. E é por isso que sua música volta a tocar e a voz começa a sair da sua garganta. Ela cresceu num modelo com o qual não se identifica e hora dessas vai entender porque eles são assim. Ou talvez não seja tão rápido assim. Mas, sua maior certeza é a de que não dá mais pra se preocupar dia e noite com todos, sem conseguir mudar nada em ninguém e nessa desperdiçar energias que deveriam estar muito bem focadas.
Seus planos parecem mais claros agora. Ela sabe que gostaria muito de entender melhor umas coisas, sobre alguns assunto que acha demais. Mas sabe que não é do tipo, nunca foi, nem nunca será, que coloca impedimentos e compensações tolas pra ser e fazer o que gostaria. Isso apesar de saber que tem chão ainda. O ponto é: a menina não quer mais essa bagunça. Ela vai se recolher pra arrumar o quarto dela. Vai redeterminar o que é essencial e aprender a lidar com raiva e mágoas. Controle de raiva? Pois é. Sua hostilidade é bem direcionada às vezes.
Porém, contudo, todavia, ela vai voltar a cantar! E vai ser logo! Também vai organizar suas fotos e catalogar os CDs e DVDs, finalmente. Os livros vai desempoeirar e os textos arquivar. A Clarissa vai, em breve, voltar a escrever. E finalmente vai baixar suas músicas prediletas. Vai também na sua amiga buscar aquelas fotos liiindas de San Telmo que até hoje não pegou. E se organizar financeiramente pra sua próxima trip. Fora isso, vai listar lugares onde gostaria de trabalhar e convencer um deles de que she's the girl for the job. No fundo, vai fazer tudo o que gosta, mas que não fazia, pois... não fazia, oras. Sabe lá qual o motivo dela não fazer. Ler revistas e anotar referências. Mandar cartas. Ouvir seus Cds e cantar. E ela vai pra Cuba também. Só não sabe quando. Agora vou zerar o chip.

June 08, 2009

are we like you? i can't be sure!

Pessoas carentes. Carente ou romântico? Os dois, né. Já que todo carente se torna cronicamente romântico e meloso. Mas depois que a carência passa é foda. Conseguiu o que queria e é isso aí, já deu. Acho que ando cética demais. Mas é que a aura de hoje é de 'não to no pique, tá legal?'. Prefiro que facilitem, pq se complicarem e eu resolver comprar a briga daí é problema. Tem realmente pessoas que com zero compromisso conseguem.
Mas uma hora passa. Devia ter um código de conduta pra certas coisas. Daria menos trabalho:
-Po, que m*!
-Desculpa, não sabia que você ia achar ruim!
-Mas tava no código, c*! Não leu essa b* não? Hã-hã?
-err... ahn...
-Pô!
E pronto. Sem desculpas! Prático demais.
Existem coisas que quando acontecem toca um sininho mental alertando 'não. não é aceitável, honey!'. Porém, outras vezes toca logo um alto e sonoro PÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!! e a sensação é logo de 'Po, inacreditável, hein!!!'. Tá, eu sei que também não pego muito leve às vezes. O cara mais mano da face da terra já me disse uma vez que ele gostava muito de mim, por isso que aturava meu temperamento. oO
E eu continuo repetindo: eu sou um doce. Quer ver? Mas não abusa do meu amor. Sério.
Enquanto isso minha avó tá na sala vendo um pedagogo super renomado falandofalandofalando e falando enquanto ela solta 'Oooolha, só! Viu, Clarissa?'. Não, não vi.
Daí, fora isso, to torcendo pra não perder meu semestre na faculdade com essa farofa-fa que tem sido o reagendamento das minhas provas depois desse transplante e meu super atestado de 15 mega dias. Bem na semana de provas.
Amanhã tem terapia holística. Não sei do que se trata. Mas juro que quando descobrir vai fazer muito mais sentido do que agora. Segundo a vovó, é pra curar meus problemas espirituais mais profundos.
Además, as rádios daqui do litoral não fazem muito sentido.
Só pensando muito mesmo. Introspectiva da forma mais superficial possível.
A couple of days aqui e fico sabendo das fofocas da família toooodinha. Incrível!
To com um projeto aí...

June 04, 2009

Genérica? Tá, um pouco, talvez! Será?

link: Claris no claustro
a diferença é que, por ser um pós-operatório, to sem cigarros e vinho.
o meu pijama tb é de flanela.

Existem 101 formas de lidar com a vida. Por muitas razões mega pessoais, meu jeito até hoje não tem sido o melhor deles. Não tá nem no top 50. Mas, é meu very best até agora, então tá bom. A questão absurdamente intríseca é que eu era uma pessoa, daí vieram anos de desajuste sentimental e instrução falha. E eu nunca mais fui eu mesma. Ainda bem, né. Triste seria pensar da mesma forma que eu costumava pensar quando tinha 17 ou 18 anos. Mas o ponto é: no passar dos fatos fiquei sem gana e sem sagacidade.
Fiz um transplante de córnea semana passada. Voltei a enxergar bem depois de 10 anos. DEZ anos! Existem dois fatores paralelos: a perda de visão quando eu tinha 14 anos e o início dos problema afetivos/sentimentais primeiro com familiares e depois, mais tarde, com homens -garotos, enfim. Puro desajuste em tudo. Já fiz o transplante. Só falta me resgatar. A ponto de saber o simples: quais eram mesmo as minhas aspirações? Do que eu realmente gostava mesmo? O que me deixava feliz cantando mesmo? Veremos já.
Hoje não fiz muita coisa. Só pensei muito. E vim de teimosa denovo escrever. Precisava escrever. Acabei percebendo que problemas podem ser resolvidos, especialmente quando a gente simplifica tudo (né, Caio? - vide meu surto no post anterior. medo é foda). Então vim escrever. Pq tava precisando.
Parei de fumar faz 5 dias e consegui sentir perfeitamente o aroma de baunilha e laranja no chá que acabei de beber! Inédito! Muy bueno... but silly.
Besos!